POLÍTICA

Convite para ser vice foi para Uberaba, e não a mim, diz MM

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Marcos Montes revela o que espera do novo desafio, da expectativa de vitória eleitoral e das composições partidárias até às eleições

Thassiana Macedo
Publicado em 17/06/2018 às 08:39Atualizado em 17/12/2022 às 10:42
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Foi com a presença de lideranças de destaque nacional, como Geraldo Alckmin – pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB – e do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que o senador e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), confirmou o nome do deputado federal Marcos Montes (PSD) como seu vice na chapa que disputará as eleições de outubro. Anúncio, feito durante visita do tucano a Uberaba, onde recebeu a “Medalha Major Eustáquio”, gerou grande expectativa para a oportunidade de Minas ter um representante que olhe diretamente para as necessidades do Triângulo Mineiro e, mais especificamente, de Uberaba. Porém, a notícia de que Rodrigo Pacheco (DEM) pode escolher alguém de Uberlândia para compor chapa de disputa ao governo do Estado reacendeu a velha rixa entre Uberaba e Uberlândia. Em entrevista ao Jornal da Manhã, Marcos Montes revela o que espera do novo desafio, da expectativa de vitória eleitoral e das composições partidárias até as eleições.  

Jornal da Manhã - O que representa para a cidade ter um político como vice-governador?

Marcos Montes – Estou muitíssimo honrado com o convite, pois o recebi como uma deferência que extrapola qualquer questão pessoal. Claro que me sinto contemplado pela minha trajetória política, mas, acima de tudo, entendo que se trata de uma deferência com o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, e, lógico, com Uberaba, região e cidade onde tenho minhas principais bases políticas e eleitorais. Obviamente, a opção do senador e pré-candidato a governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, não tem apenas uma motivação, mas várias razões que, conjugadas, deram a ele a certeza de que estava fazendo a escolha certa. Na verdade, entendo que o convite não foi feito a mim, exclusivamente. Acredito que tenha sido um convite dirigido a toda Uberaba, independentemente de divergências políticas. Não estamos falando de uma pré-candidatura qualquer, mas sim de uma pré-candidatura com possibilidade real de sair vitoriosa das urnas em outubro de 2018. Uberaba, portanto, está incluída nesta possibilidade. 

JM - Como é um cargo que só substitui o titular em sua ausência? Um mandato de deputado não seria mais produtivo?

Marcos Montes – O grande segredo de um vice é saber se comportar como um vice. O comandante do governo é o chefe do Executivo. E o vice precisa ter consciência disso. Serei instrumento do professor Anastasia, se vencermos as eleições, é claro. Acredito que, pelas enormes dificuldades que ele irá encontrar pela frente e também pela confiança e convivência que temos há muitos anos, acredito poderei ter um papel importante na sua administração, além do título de vice-governador, mas caberá ao governador Anastasia, se eleito, definir as funções que terei no governo. Estou preparado para ser vice, mas, muito mais do que isso, para ajudar e cumprir todas as missões que me forem destinadas por ele no processo de reconstrução de Minas, o que será uma tarefa bastante árdua. Serei leal, e ele sabe disso. 

JM - O anúncio de seu nome para compor a chapa encabeçada pelo PSDB se deu antes de todas as coligações estarem fechadas... Não há risco de reversão?

Marcos Montes – Sou pré-candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo pré-candidato a governador, senador Antonio Anastasia. Esta participação foi confirmada em Uberaba, dia 11 de junho, com um evento grandioso, com a presença de lideranças nacionais e estaduais de vários partidos aliados. A partir de agora, o senador e eu estamos trabalhando na conquista de outras legendas. 

JM - Os partidos que possivelmente estarão nessa chapa foram consultados?

Marcos Montes – De acordo com o senador Anastasia, foram consultados e apoiaram. Foi o que ele me disse e reafirmou para centenas de pessoas reunidas no dia 11 de junho em Uberaba. 

JM - Na condição de candidato a vice-governador, qual será a sua postura quanto a apoios para deputados estadual e federal?

Marcos Montes – Com certeza absoluta, a chapa majoritária à qual pertenço e que será confirmada em convenção vai garantir apoio e igualdade de condições a todos os candidatos proporcionais da futura coligação – deputados federais e estaduais. 

JM - Quais os fatores que pesaram na sua decisão de aceitar o convite para ser vice do senador Anastasia na disputa pelo governo de Minas, em detrimento da sua reeleição para deputado federal?

Marcos Montes – A vida pública é dinâmica. Estou no terceiro mandato de deputado federal e fui prefeito em duas gestões. Entendo que, ainda que falte algo a ser alcançado, me sinto realizado. Pude realizar uma série de ações ao longo desta minha trajetória. Lembro que como prefeito implantei, entre outros projetos, a Guarda Municipal, a Defensoria Pública, o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) e mais de 100 programas em saúde, voltados para todos os segmentos, sendo crianças, adolescentes, mulheres, mães, idosos, tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo Aids... E nos três mandatos como deputado federal, entendo que dei uma contribuição importante. Cito como exemplo a Lei nº 12.441/2011, sancionada pela Presidência da República, que criou a empresa individual de responsabilidade limitada, conhecida como Eireli, que facilita a composição de uma empresa sem a necessidade da “presença” de um sócio minoritário, muitas vezes chamado de “laranja”. Milhares de empresas e empregos foram criados a partir da lei. Tive a oportunidade de colaborar com dezenas de municípios mineiros, apresentando emendas que, com certeza, serviram de alento para os prefeitos, ainda que dentro das limitações de um mandato. Enfim, entendo que é chegado o momento de dar um novo passo. Vem aí muito trabalho para recuperar Minas para os mineiros. Uma missão difícil, mas que haverá de ser cumprida. 

JM - No dia seguinte à oficialização de seu nome, o senhor e o senador Anastasia estiveram em Uberlândia. Havia, ou ainda há, resistência do prefeito Odelmo Leão a ver um uberabense na composição majoritária de um aliado, no caso Anastasia, embora não sejam do mesmo partido?

Marcos Montes – O prefeito Odelmo Leão é um amigo a quem muito prezo. Fomos companheiros na Câmara dos Deputados, na Frente Parlamentar da Agropecuária, a qual presidi com muita honra, e participamos juntos de projetos importantes para Minas e o Brasil. E mais, ele administra uma das cidades mais importantes do Estado, que é Uberlândia, onde, aliás, tive a alegria de me formar em Medicina pela UFU. Se ele optar pela adesão a outro projeto de candidatura a governador, vou respeitar. É um direito dele, mas até esta data, quando estivemos em Uberlândia, o partido dele, o PP, ainda não havia se decidido, e é claro que o senador Anastasia e eu gostaríamos de ter a legenda conosco. Ficaríamos muito felizes com isso. Na reunião em Uberlândia, onde fomos recebidos com muito respeito, pedimos ao prefeito que ele interceda pela aliança com o PP. 

JM - Na última quinta-feira (14), o deputado federal Rodrigo Pacheco, do DEM, também pré-candidato ao governo de Minas, anunciou que quer alguém do Triângulo Mineiro para compor sua chapa e indicou que o nome pode sair de Uberlândia, sendo a primeira-dama Ana Paula Leão a mais cotada para contrapor Anastasia e Marcos Montes. Como o senhor vê essa possibilidade?

Marcos Montes – A pré-campanha é um momento de dúvidas, conversas, acertos e, até, de desacertos e novos acertos. Ou seja, tudo pode acontecer, mas quero deixar claro que respeito muito o colega deputado Rodrigo Pacheco e entendo que ele tem total liberdade para buscar outras alternativas. Faz parte da democracia. E, com certeza, o prefeito Odelmo Leão é uma grande liderança, um nome que todas as pessoas de bem gostariam de ter ao lado, inclusive o senador Anastasia. Por sinal, fico feliz de ver que a iniciativa do senador Anastasia, de valorizar e reconhecer a importância do interior de Minas, através do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, esteja sendo seguida por outros pré-candidatos. O senador tem o pioneirismo entre suas marcas registradas, que também incluem seriedade, competência, capacidade administrativa, planejamento, entre outras.  

JM - Muitos pré-candidatos têm manifestado preocupação com o mau uso das redes sociais nas campanhas eleitorais deste ano. Essa é também uma preocupação? Como evitar eventuais prejuízos eleitorais que as fake news possam causar à pré-candidatura de Anastasia e Marcos Montes?

Marcos Montes – Esta é uma preocupação nacional e até mundial. As redes sociais são muito bem-vindas, mas é preciso fazer com que elas sejam instrumento de paz, e não de ódio, como tem acontecido. Não estou me referindo só à política, mas sim à convivência em geral, ao uso das redes para a proliferação de preconceitos, racismo e ódio. No caso das eleições, confio que a Justiça Eleitoral saberá como combater o mau uso das redes sociais, que, faço questão de dizer, não atinge todos os usuários. Tem muita gente usando as redes para o bem, para defender a paz, para manifestar opiniões com civilidade e respeito ao próximo, para protestar com argumento, e não com xingatórios.  

JM - Recentemente, em eleições no Estado do Tocantins, o número de abstenções chegou a quase 50%... Acredita que nas eleições de outubro esse fenômeno poderá se repetir pelo país afora? Por qual razão?

Marcos Montes – Acredito sim. E o motivo é a descrença da população em relação à política. Claro que existe razão de ser para isso. O Brasil enfrentou e ainda enfrenta uma crise política sem precedentes, mas também não faltaram pessoas e grupos se utilizando desse momento para desmoralizar a política. Sinceramente, não sei a quem isso pode beneficiar. Quem sabe aos defensores do retrocesso democrático, mas o Brasil há de superar este momento e mais uma vez confirmar que tem uma democracia consolidada. 

JM - Por outro lado, acha possível motivar o eleitor a comparecer às urnas em outubro, sem desperdiçar o voto, diante desse quadro de desesperança que toma conta dos brasileiros de modo geral?

Marcos Montes – Por mais difícil e complexo que isso pareça, entendo que todos nós temos a obrigação de trabalhar para que essa motivação aconteça. 

JM - Uma das maiores preocupações dos uberabenses tem sido a insegurança pública, sobretudo a partir do assalto à Rodoban e, mais recentemente, a onda de ataques incendiários a ônibus. O que o Estado pode fazer para garantir a segurança aos cidadãos, considerando a precária situação financeira dos cofres públicos mineiros?

Marcos Montes - O senador Antonio Anastasia tem a receita: planejamento, planejamento e planejamento. Ele repete sempre que a falta de recursos tem sido um grande problema, mas que não é o maior obstáculo. Concordo com ele que o maior problema é a falta de planejamento.

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