A postura irredutível do prefeito Anderson Adauto (PMDB) em manter o corte de 10% nos repasses de 2009 ainda não foi “digerida” pelo movimento das creches, que se reuniu ontem à tarde para discutir novas estratégias.
A coordenadora da Escola Dulce de Oliveira, que também integra o Conselho Municipal de Assistência Social, Claricinda Massa, disse ao JM que o movimento está aguardando uma ação do Ministério Público. “Como cidadã e conselheira, coloco nas mãos do MP a solução deste assunto”, afirma.
Quanto ao projeto aprovado ontem destinando os alimentos a serem arrecadados no jogo USC x Democrata-GV, a conselheira considera insatisfatório, uma vez que mantimentos são doados com frequência às instituições pela comunidade. “Precisamos de produtos de limpeza e dos repasses para aumentar o atendimento, pagar os funcionários e encargos trabalhistas”, afirma.
No tocante ao endurecimento por parte do prefeito em demitir o secretariado que atrasar os repasses este ano, Claricinda Massa disse acreditar “piamente” que ele irá cumprir sua palavra. “O compromisso foi assumido mediante a sociedade, as instituições e o Ministério Público”, finaliza.
A coordenadora da Frente dos Direitos da Criança e do Adolescente, Mariângela Camargos, informou que o movimento, com a ajuda de técnicos, irá estudar a possibilidade de remanejamento de verbas de outras áreas da PMU para compor a receita das creches. O assunto será discutido com os vereadores em reunião a ser agendada por Marcelo Borjão. Na próxima terça-feira (17), os coordenadores das instituições participam de reunião com o promotor da Infância e Juventude, André Tuma.
Repercussão. Em artigo recente publicado no Jornal da Manhã, o arcebispo emérito de Uberaba, dom Benedito de Ulhoa Vieira, acreditava que o prefeito iria retroceder de sua decisão. Experiente na área de assistência social, o religioso coordenou uma das maiores creches de São Paulo na década de 20, que acolhia mais de cem crianças e o sustento, segundo ele, era penoso.
Ontem, ao ser contatado pela reportagem, o arcebispo reafirmou a crença na “sensibilidade” do prefeito em rever sua decisão. No entender de dom Benedito, recursos existem, pois a PMU auxiliou generosamente o carnaval, conforme leu nos jornais da cidade. Ele disse não acreditar que agora, o prefeito irá fechar as mãos para as entidades. Ao encerrar sua análise, Dom Benedito, que já exerceu a vice-presidência da CNBB, externou “não acreditar que Anderson Adauto, a quem o povo de Uberaba confiou o segundo mandato, se feche diante das instituições uberabenses”.