POLÍTICA

Documento pode dar reviravolta em acusação contra vereador

Um documento de três folhas pode mudar o destino do vereador Jorge Ferreira, investigado por ato de improbidade e falta de decoro parlamentar

Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 13:08
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Um documento de três folhas pode mudar o destino do vereador Jorge Ferreira (PMN), prestes a ser cassado na Câmara Municipal de Uberaba, investigado por ato de improbidade e falta de decoro. O documento, já entregue ao promotor de Justiça José Carlos Fernandes Júnior, indica que o representante do PMN estaria sendo vítima de armação, como o próprio investigado vem alegando desde o surgimento das denúncias. Quanto ao documento, trata-se de um “organograma”, de autoria de uma das testemunhas contra o vereador, mais especificamente Gleibe Terra Júnior, 38 anos de idade, ouvido na Comissão Processante da CMU e na investigação do Ministério Público Estadual. Conforme afirma nos depoimentos prestados, “Gleibinho”, como é conhecido, declarou que seria o chefe-de-gabinete do vereador, que assumiu o cargo em janeiro deste ano, mas teria sido preterido por não concordar em repassar parte de seu salário para Jorge Ferreira. Entretanto, no documento denominado “organograma”, de autoria de Gleibinho, este propõe exatamente o contrário do que diz. Como se vê no documento, obtido com exclusividade pelo Jornal da Manhã, o mesmo é datado de 18 de novembro de 2008, época em que o vereador iniciava a formação de sua equipe de assessores na contratação via poder Legislativo. Em três folhas, todas assinadas por Gleibe Júnior, então cogitado para ser o chefe-de-gabinete do vereador eleito, o mesmo apresenta sugestões ao “amigo edil”, como fez constar, listando as orientações que deveriam ser observadas durante o mandato de 2009 a 2012. No tal “organograma”, Gleibe Jr. se identifica como “jornalista, analista político, bacharel em Direito e formador de mídia e marketing político”. Mais que assinar, também faz constar os números de seus telefones fixo e celular. Quanto a sugestões que apresenta ao “Jorge Ferreira Vereador – Irmãos Ferreira”, como fez constar textualmente, Gleibinho escreve como integrante da equipe. Já na primeira folha propõe reunião com algumas lideranças, bem como com o comandante-geral do Tiro-de-Guerra. Com o militar, alega que o contato seria importante “para pedir a dispensa de vários jovens do alistamento militar, tendo em vista os pedidos dos pais, que são muitos e rende muitos votos”. O mais grave vem nas folhas seguintes, especialmente nos tópicos “minha meta de trabalho junto ao vereador” e “parceria custos”. Após afirmar que “em nossa equipe de gabinete temos e precisamos que os mesmos estejam voltados para a sua reeleição”, Gleibe Jr. dedica uma página e meia à questão financeira. De pronto, deixa claro que, além do salário de vereador, que soma R$ 7.500, “precisamos ainda para suas despesas pessoais e política um caixa de mais R$ 4.000”. O reforço de caixa seria feito “através de três amigos dentro da mesma Assessoria”, propõe, sugerindo como seria a conduta criminosa. O próprio Gleibe se propõe a repassar 75% do seu salário, o que representaria R$ 3 mil, como retorno de caixa para o vereador. As sugestões não terminam aí, listando outros nomes e cargos, incluindo seu pai, que seria contratado como advogado do vereador em Belo Horizonte, enquanto outro advogado – com nome citado no documento – seria contratado como se fosse atuar em Brasília. Lista ainda repasse de um assessor jurídico do gabinete, que teria salário de R$ 2.309, devolvendo R$ 1.000 ao vereador. Em outro trecho, o documento alerta para necessidade de mais um assessor de confiança para lançar em folha de pagamento com salário de R$ 1.000, com repasse de metade do valor para Jorge Ferreira. Mais adiante, consta uma espécie de resumo, lembrando que, ainda assim, ficaram R$ 10.000 para serem distribuídos para outros nove assessores, sendo que cada um ainda teria ajuda de R$ 330 em tíquetes-alimentação.

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