O presidente da Câmara, Luiz Dutra (PDT), admitiu ontem que a Casa optou por manter o mesmo número de assentos (14) a ter que gastar mais. “Entre a maior representatividade e o maior número de gastos, prefiro ficar com o menor número de cadeiras do que gastar mais do que aquilo que o povo pode”, diz o pedetista, assegurando que não havia clima entre a maioria dos seus pares para os cortes que se faziam necessários ante o ajuste que se avizinhava.
De acordo com Dutra, caso se confirmassem as 21 cadeiras, o impacto na folha de pagamento – decorrente dos sete novos vereadores e da estrutura que os cerca – seria de R$350 mil a R$400 mil/mês. O duodécimo que é repassado ao Legislativo, hoje de 6% do orçamento municipal, será de 5% a partir do ano que vem, ou seja, a Casa teria que fazer os enxugamentos para não ficar engessada.
O pedetista afirma que ao notar que as tentativas de cortar verba de gabinete e o número de assessores parlamentares não vingariam, passou a trabalhar junto aos colegas pela manutenção das 14 cadeiras. “Se eu fosse irresponsável, passaria o abacaxi para frente [próxima Mesa Diretora], mas penso que temos que administrar o hoje pensando no amanhã”, disse Dutra, que admite: a corrida ao Legislativo será mais difícil, inclusive para quem tem mandato, “inclusive eu terei mais dificuldade”.
Ele ainda acrescenta que ante as 14 vagas, muita gente vai ficar de fora, já que os partidos poderão lançar 21 candidatos e as coligações, 28. Conforme Dutra, algumas siglas têm até 35 nomes e terão que se ajustar. “Vai restar à população saber escolher bem seus representantes com mais qualidade e a mesma quantidade”, ensina o pedetista, que reitera ter feito tudo que podia para que a Casa acatasse os ajustes necessários à ampliação pretendida, mas, ante o sistema democrático, “não poderia engavetar o projeto [das cadeiras] e fazer qualquer tipo de chantagem”, finaliza.