POLÍTICA

Em depoimento, Moro afirma que Bolsonaro tinha interesse na PF do RJ; "quero apenas uma, a do Rio de Janeiro"

Publicado em 05/05/2020 às 18:41Atualizado em 18/12/2022 às 06:07
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O pedido de demissão do ex-ministro Sérgio Moro continua tendo desdobramentos. Moro prestou depoimento à Polícia Federal para pontuar acusações feitas em seu discurso de demissão. O documento, na íntegra, foi obtido pela CNN Brasil, que entrou ao vivo na tarde de hoje (05), divulgando informações.

Moro voltou a reafirmar no depoimento que o presidente Jair Bolsonaro o pressionou mais de uma vez para trocar o superintendente da corporação no Rio de Janeiro e para retirar do comando da instituição o diretor-geral Maurício Valeixo. “Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”, teria dito o presidente.

Segundo Moro, Bolsonaro vinha insistindo na troca do superintendente da PF do Rio desde agosto de 2019, quando o cargo era ocupado por Ricardo Saad. Moro rebateu dizendo que não havia escolhido nem o comandante da PF no Paraná, seu estado de origem, e que a nomeação de superintendentes é atribuição do diretor-geral.

De acordo com o ex-ministro, a pressão de Bolsonaro pela substituição de Valeixo também foi grande, mas cresceu a partir de janeiro de 2020 quando o presidente falou em nomear Alexandre Ramagem, então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A nomeação chegou a ocorrer após a saída de Moro, mas foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Também nesta tarde (05), o juiz Francisco Alexandre Ribeiro, do Distrito Federal, deu um prazo de 72 horas para que o Palácio do Planalto apresente informações sobre a troca no comando da Polícia Federal.

Um dos pontos levantados na ação é que o presidente Jair Bolsonaro escolheu um nome “alinhado a seus interesses escusos, como ficou evidenciado em seu primeiro ato após empossado” – a troca no comando da Polícia Federal do Rio, área de interesse de Bolsonaro e seus filhos.

Moro ainda disse no depoimento que “não poderia trocar o diretor-geral sem que houvesse uma causa e que como Ramagem ligações próximas com a família do presidente isso afetaria a credibilidade da Polícia Federal e do próprio governo, prejudicando até o presidente”. Declarou, ainda, que “essas ligações são notórias, iniciadas quando Ramagem trabalhou na organização da segurança pessoal do presidente durante a campanha eleitoral”.

 

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