POLÍTICA

Em novo pronunciamento, Temer diz que pedirá suspensão de inquérito contra ele

Este foi o segundo pronunciamento do presidente desde que veio à tona o conteúdo das delações de Joesley Batista

Publicado em 21/05/2017 às 16:15Atualizado em 16/12/2022 às 02:20
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Presidente Michel Temer fez novo pronunciamento na tarde de ontem, quando afirmou que a gravação de que foi alvo foi "fraudulenta e manipulada" e atacou o delator Joesley Batista, da JBS. "Ele cometeu o crime perfeito. Enganou os brasileiros e agora mora nos Estados Unidos. Quero observar a todos as incoerências entre o áudio e o teor do depoimento. Isso compromete a lisura de todo o processo por ele desencadeado", afirmou o presidente.

Temer, trajando camisa social e sem gravata, confirmou que vai pedir ao Supremo a suspensão do inquérito até que sejam avaliadas as gravações. "Li hoje no jornal 'Folha de S.Paulo', notícia de que perícia constatou que houve edição no áudio de minha conversa com o sr. Joesley Batista. Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos. Incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil. Por isso, no dia de hoje, estamos entrando com petição no Supremo Tribunal Federal para suspender o inquérito proposto até que seja verificada em definitivo a autenticidade da gravação", declarou o presidente.

Este foi o segundo pronunciamento do presidente desde que veio à tona o conteúdo das delações de Joesley Batista e de outros executivos da JBS. A partir delas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de investigação ao STF (Supremo Tribunal Federal) por ter identificado indícios da existência de três crimes: obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. No primeiro pronunciamento, ele finalizou dizendo que não renunciaria ao cargo, o que foi reafirmado ontem. "Continuarei à frente do governo", finalizou.

As revelações dos executivos da JBS levaram o governo à sua maior crise no pouco mais de um ano desde que Temer assumiu o Planalto, em maio de 2016. Na quinta-feira (18), Temer fez um rápido pronunciamento para rebater as acusações de Joesley Batista de que deu aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na fala, em tom duro, o presidente disse que não renunciaria ao mandato. Na sexta-feira (19), porém, novas acusações surgiram contra Temer e o agravamento da crise fez com que aliados o pressionassem a deixar o cargo.

Agora, a defesa do peemedebista, comandada pelo advogado criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, argumenta que a investigação não pode prosseguir enquanto não for analisada a validade da gravação de uma conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista, que embasou a abertura do inquérito. A estratégia de Temer é contestar a legalidade da gravação, atacando falhas no áudio entregue à PGR (Procuradoria-Geral da República), para tentar postergar o avanço da investigação.

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