Presidente aproveitou para anunciar Desenrola 2.0 e destacar projeto de lei que acaba com escala 6x1
Lula faz pronunciamento sobre programa Desenrola 2.0 e fim da escala 6x1 (Foto/Reprodução)
Em pronunciamento realizado nesta quinta-feira (30/4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que a proibição em apostas online será um dos requisitos para aderir ao programa de renegociação de dívidas, que será anunciado pelo governo na próxima semana. O petista aproveitou para criticar a liberação das plataformas no Brasil e disse que seu governo irá colocar “um limite à destruição que elas vêm causando”.
“O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos. Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”, disse.
Lula usou sua fala em rádio e TV, por ocasião do Dia do Trabalhador, 1º de maio, para divulgar detalhes do Desenrola 2.0, como juros mais baixos, de no máximo 1,99%, e descontos de 30% até 90% no valor da dívida. Além de parcela menor, os beneficiados terão mais tempo para pagar sua dívida. E cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
“As trabalhadoras e os trabalhadores poderão negociar dívidas do cartão de crédito, do cheque especial, do rotativo, do crédito pessoal e até do FIES”, afirmou o petista.
Fim da escala 6x1
O presidente aproveitou também para afirmar que o governo enviou ao Congresso projeto de lei que reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais, com dois dias livres por semana, sem redução de salário. Essa é uma das principais apostas de Lula para a campanha à reeleição. Ele ainda adotou discurso "antissistema" e criticou a “turma do andar de cima” que sempre é contra ampliação nos direitos dos trabalhadores.
“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”.
“Eu sei muito bem que todos os direitos dos trabalhadores foram conquistados com muita luta. A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte. Porque toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força, e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim da escala 6x1 no Brasil”.
Efeitos da guerra do Irã
Na declaração, Lula reiterou que o governo brasileiro “agiu rapidamente” para conter os efeitos da guerra do Oriente Médio sobre os preços do combustível, dos alimentos e do custo do transporte, com a retirada de impostos sobre o diesel e o gás de cozinha.
“Com muito esforço, tiramos os impostos dos combustíveis, tomamos uma série de medidas urgentes para conter o aumento dos preços, garantir o abastecimento e aliviar o peso da guerra sobre as famílias brasileiras. Graças a essas ações, o Brasil tem sido um dos países menos afetados pela crise global”, afirmou.
No pronunciamento, Lula também voltou a defender a soberania do Brasil e disse que o país não "aceita ser quintal de ninguém".
"Em um mundo cada vez mais instável, com guerras e incertezas se espalhando, é fundamental que o Governo do Brasil esteja do lado do povo. Nossa nação precisa ser protegida. Nossa soberania e nossas riquezas têm que ser defendidas. O Brasil é grande demais para baixar a cabeça. O Brasil não aceita ser quintal de ninguém".
Fonte: O Tempo