O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, ampliando a tensão comercial entre os dois países. A medida foi anunciada na noite desta quarta-feira (15) pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, e faz parte da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o USTR, a lista completa dos produtos que ficarão isentos da sobretaxa será publicada nas próximas horas no Federal Register. Entre os itens que não devem ser atingidos estão carne bovina e café, dois dos principais produtos da pauta de exportação brasileira.
Até o anúncio oficial, representantes do governo federal e do setor produtivo brasileiro tentaram negociar a retirada ou a redução das tarifas. Na véspera da decisão, uma comitiva brasileira voltou a se reunir com Jamieson Greer para defender que a medida é injusta e lembrar que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4.200 produtos brasileiros poderão ser afetados, representando aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações. Entre eles estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.
Para minimizar os impactos sobre as empresas brasileiras, o Ministério da Fazenda estuda editar uma medida provisória de apoio aos setores afetados. O governo também avalia aplicar medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, permitindo responder comercialmente às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Especialistas avaliam que a decisão aumenta a insegurança para empresas exportadoras, que podem precisar renegociar contratos, reduzir margens de lucro ou buscar novos mercados. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirma que a sobretaxa altera significativamente as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano e pode pressionar preços e competitividade.
Entenda o caso
A nova tarifa é resultado de uma investigação aberta pelo governo norte-americano em 2025. O USTR concluiu que políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, proteção da propriedade intelectual, combate ao desmatamento, acesso ao mercado de etanol e outras áreas seriam prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos.
Além dessa investigação, o Brasil também foi incluído em outro processo envolvendo suposto uso de trabalho forçado, que prevê uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos. Em alguns casos, as duas cobranças podem ser aplicadas simultaneamente.
O governo brasileiro contesta as acusações e afirma que as medidas não têm respaldo nas regras do comércio internacional. Durante as audiências públicas realizadas pelo USTR, representantes de empresas brasileiras e norte-americanas também defenderam a retirada das tarifas.
Impacto também pode atingir consumidores americanos
Economistas avaliam que o aumento das tarifas pode pressionar a inflação nos próprios Estados Unidos, já que parte dos custos tende a ser repassada ao consumidor final. No entanto, o impacto dependerá da estratégia adotada por cada empresa importadora.
Segundo especialistas, setores que dependem de matérias-primas e produtos brasileiros poderão enfrentar aumento de custos e dificuldades para encontrar fornecedores alternativos, o que pode influenciar preços no mercado norte-americano.