Com resistência de vereadores, Executivo retirou da pauta da Câmara Municipal projeto que pretendia aplicar taxa Selic para atualização de débitos renegociados para pagamento parcelado. A matéria entrou em tramitação esta semana em regime de urgência e começou a ser discutida ontem em plenário, mas a votação foi adiada devido aos questionamentos dos parlamentares.
Acompanhando a sessão, a secretária adjunta da Fazenda, Lisandra Abreu, argumentou que atualmente o Código Tributário Municipal apenas prevê a atualização dos juros moratórios. Porém, também é preciso considerar a correção monetária ao longo do tempo em caso de débitos parcelados a longo prazo.
Além disso, a adjunta defendeu que Código Tributário Nacional impõe a incidência do índice para atualização do valor da dívida nos parcelamentos. Desta forma, a adequação seria necessária para evitar possíveis entraves futuros em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Apesar dos apelos, a proposta não foi bem recebida pelos vereadores e houve diversas manifestações em plenário contra a votação às pressas no fim da atual legislatura.
Declarando o voto contrário, o parlamentar Marcos Jammal (PSDB) chegou a pleitear aumento para 20% no desconto para pagamento antecipado do IPTU como forma de prestigiar quem paga em dia.
Já o vereador Tulio Micheli (PSDB) criticou o envio do projeto de última hora para o Legislativo e sem prazo suficiente para análise, cobrando que a votação do projeto fosse adiada. “Essa casa não precisa receber essas buchas faltando quatro sessões para encerrar a legislatura [...] Não sinto tranquilidade, no apagar das luzes, em aprovar projeto que mexe no bolso do contribuinte. Acho que precisava ser discutido de forma mais abrangente”, posicionou.
Na mesma linha, a vereadora Denise Max (PRD) argumentou ter dificuldade em votar projeto que onere o cidadão uberabense no atual momento de crise e solicitou que o governo municipal deixasse o assunto para ser tratado no próximo ano.
Em razão dos posicionamentos, o líder do governo na Câmara, Almir Silva (Republicanos), solicitou a retirada do projeto da pauta.