A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV) rastreou a ação de robôs com intuito de disseminar conteúdo político durante a campanha eleitoral deste ano. A pesquisa teve como base um estudo sobre 5,4 milhões de tuítes. Ao todo, as postagens tiveram mais de 2,3 milhões de interações ou retuítes entre 22 de junho e a última segunda-feira. Dessas, 306 mil foram feitas por perfis associados aos chamados “bots” (mecanismos automatizados).
O cruzamento de dados revela que a maior incidência dos mecanismos automatizados é proveniente de polos políticos grupos identificados pela DAPP como "azul" (de direita, associado ao pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro) ou “vermelho” (de esquerda, associado ao ex-presidente Lula). Ao todo, o grupo "azul" lidera a influência de robôs, com 148.649 interações. O “vermelho” responde por 122.160 interações com influência artificial. O percentual despenca para 23.744 de interações quando se avaliam apenas os retuítes do grupo “rosa”, identificado como esquerda não vinculada a nenhum ator político. E cai para 12.044 quando são avaliadas as interações artificiais do grupo "azul claro", identificado pelo DAPP como “centro”.
Na avaliação do diretor do DAPP, Marco Aurélio Ruediger, a ação do “exército de bots” supera, e muito, a de 2014. “E não estamos nem na última semana da eleição ou no segundo turno”, afirmou ao jornal O Globo.
Dos mais de cinco milhões de tuítes analisados, 22% eram de perfis ligados ao campo que tradicionalmente forma a base do ex-presidente Lula. Outros 21% tinham uma relação mais evidente com o campo conservador e alinhados a Bolsonaro.
Ruediger analisa que o uso de robôs de forma sistêmica evidencia o papel decisivo do debate nas redes sociais para nortear a disputa, embora ainda não seja possível avaliar como isso vai se refletir no resultado eleitoral.
Dos 5,4 milhões de tuítes observados, 56,6% são apontados como perfis inclinados à posições de centro-esquerda, que dão mais valor a temas de justiça social ou a uma atuação maior do Estado na economia, segundo Ruediger.
Fonte: O Globo