ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro desiste de pedir anulação da eleição, mas mantém ofensiva contra Lula

Senador pretende buscar a cassação da chapa petista por supostos abusos durante a campanha, sem contestar a validade dos votos

Publicado em 27/10/2026 às 08:45
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O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, desistiu de pedir a anulação da votação que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha do parlamentar pretende concentrar a estratégia jurídica em ações que apontam supostos abusos de poder político e econômico durante a disputa eleitoral.

Integrantes da equipe de Flávio afirmaram, sob reserva, que não haverá pedido para invalidar o resultado das urnas. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (26), a campanha já apresentou 20 pedidos de cassação de Lula, e novas ações devem ser protocoladas nos próximos dias.

Senador havia anunciado pedido de anulação

A decisão representa um recuo em relação ao discurso feito por Flávio na noite de domingo (25), após a confirmação da derrota. Na ocasião, ele afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou que pediria a anulação da eleição, alegando interferência do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador criticou a decisão que prorrogou até as 19h o horário de votação em razão de problemas no transporte de eleitores. Posteriormente, foi esclarecido que a medida valeria apenas para seções eleitorais que ainda não haviam encerrado a votação, sem reabrir urnas já fechadas.

Em vídeo publicado na segunda-feira, Flávio mudou o foco da contestação e afirmou que buscará a cassação da chapa de Lula por supostos abusos durante a campanha. Ele também acusou a campanha petista de disseminar informações falsas em massa.

Aliados defenderam reconhecimento do resultado

Antes do primeiro pronunciamento após a derrota, Flávio foi informado do resultado por telefone pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que também comunicou a reeleição a Lula.

Segundo relatos de bastidores, aliados próximos aconselharam o senador a reconhecer o resultado e, ao mesmo tempo, manter a possibilidade de recorrer à Justiça Eleitoral contra supostas irregularidades na campanha petista.

Entre os que defenderam essa estratégia estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), além de uma integrante da equipe jurídica.

A orientação ganhou força após partidos que apoiaram Flávio no segundo turno, como MDB, Republicanos, União Brasil e PSD, reconhecerem publicamente a vitória de Lula.

Campanha mantém disputa na Justiça

Com a mudança de estratégia, Flávio deixa de contestar a validade da votação, mas pretende continuar a ofensiva judicial contra a chapa petista. As acusações de abusos ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral, e a apresentação de pedidos de cassação não significa que as irregularidades alegadas tenham sido comprovadas.

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