INCONSISTÊNCIAS

Governo de Minas rebate queda de 95% em investimentos contra chuvas após tragédia na Zona da Mata

Informações que circulam apontam redução de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões; governo afirma que dados foram mal interpretados e que investimentos em prevenção de desastres aumentaram

Dandara Aveiro
Publicado em 26/02/2026 às 00:16Atualizado em 26/02/2026 às 01:06
Compartilhar
"A desinformação provocada pelo cálculo errado, que infelizmente vem sendo reproduzido na imprensa, é resultado de uma incompreensão sobre como funciona o orçamento público e falta de profundidade na análise dos dados", afirma comunicado emitido pelo Goveno de Minas. (Foto/Reprodução)

"A desinformação provocada pelo cálculo errado, que infelizmente vem sendo reproduzido na imprensa, é resultado de uma incompreensão sobre como funciona o orçamento público e falta de profundidade na análise dos dados", afirma comunicado emitido pelo Goveno de Minas. (Foto/Reprodução)

O governo de Minas Gerais contestou, nesta quarta-feira (25), informações de que teria reduzido os investimentos em ações de prevenção e combate a desastres provocados por chuvas, em meio à tragédia causada pelos temporais que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata. Em nota, o Executivo estadual afirmou que os dados divulgados estão incorretos, sustentando que houve aumento nos aportes destinados à área e atribuindo a interpretação à leitura equivocada do orçamento público.

Levantamento divulgado em veículos de comunicação e redes sociais, com base em dados do Portal da Transparência, aponta que os valores pagos pelo programa “Suporte às Ações de Combate e Resposta aos Danos Causados pelas Chuvas” caíram de R$ 134.829.787,08 em 2023, para R$ 41.113.405,70 em 2024; em seguida, para R$ 5.875.482,98 em 2025, representando uma redução acumulada de 95,6% no período.

Segundo as informações divulgadas, em 2023, a maior parte dos recursos foi destinada à mitigação de danos provocados pelas chuvas, além de ações de gestão de desastres e atendimento ao período chuvoso. Apesar da redução de aproximadamente 69% em 2024 em relação ao ano anterior, a mitigação de danos continuou concentrando a maior parcela dos pagamentos. Já em 2025, a maior parte do valor foi aplicada em danos pontuais nas rodovias, enquanto ações de gestão de desastres, atendimento ao período chuvoso e prevenção de eventos hidrometeorológicos críticos somaram menos de R$ 300 mil.

Em nota, o governo refutou veementemente essa interpretação e afirmou que os dados publicados foram mal compreendidos por não levar em conta a forma como o orçamento público é estruturado e reclassificado ao longo do tempo. Segundo o comunicado, os investimentos em prevenção contra desastres aumentaram em média 170% em relação ao último ano da gestão anterior, e somente em 2025 foram aplicados R$ 1,9 bilhão em ações de proteção contra desastres de todos os tipos, incluindo chuvas e alagamentos, o segundo maior volume dos dois mandatos de Romeu Zema, perdendo apenas para o período da pandemia da Covid-19.

"Com o passar do tempo, as despesas podem ser reclassificadas e agrupadas sob uma outra lógica contábil para facilitar a tomada de decisão e gerenciamento dos recursos. Apesar disso, o Portal da Transparência e de Dados Abertos permite quaisquer tipos de análises, desde que haja compromisso para entender os dados e transmitir a verdade", ressaltou o comunicado.

O governo também criticou a divulgação de informações imprecisas em um momento de crise e destacou que a competência pela fiscalização de construções irregulares, obras de contenção e garantias de segurança da população, conforme a Lei nº 12.608/2012, é municipal, além de alertar que a análise simplista de números sem compreensão técnica do orçamento público pode gerar desinformação.

A nota destacou ainda que a interpretação de queda nos investimentos é “absolutamente equivocada” e que é irresponsável associar redução de recursos com a tragédia recente. “Estamos diante da maior tragédia humanitária da história de Juiz de Fora e de Ubá. É inaceitável que a procura por audiência e relevância jornalística sobreponha o cuidado e responsabilidade na coleta de informações. A divulgação de notícias de utilidade pública em momentos como este não pode ser tão leviana”, finalizou o informe, porém sem detalhar os gastos exatos do suporte às ações climáticas.

Tragédia na Zona da Mata

A tragédia provocada pelos temporais que atingem a Zona da Mata desde a madrugada de 23 de fevereiro de 2026 reforça a gravidade da situação enfrentada pelo Estado e pelos municípios afetados. Segundo balanços oficiais dos bombeiros e demais autoridades, Juiz de Fora e Ubá registram mais de 40 mortes, dezenas de desaparecidos e centenas de desabrigados e desalojados. Milhares de pessoas precisaram ser resgatadas, enquanto equipes de emergência, inclusive de outras cidades, como Uberaba, seguem atuando nas áreas devastadas.

Em resposta à tragédia, o governador Romeu Zema anunciou repasses emergenciais de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá, destinados à reconstrução e ao enfrentamento dos danos causados pelas chuvas.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por