Apesar de autorizar a entrada do senador nos Estados Unidos, governo norte-americano não tem planos atuais de respaldar suas ambições políticas, segundo fontes ouvidas pela agência
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como líder legítimo do Brasil. A informação foi divulgada pela agência Reuters nesta sexta-feira (30), com base em relatos de uma autoridade norte-americana e de outra pessoa familiarizada com o assunto, que falaram sob condição de anonimato.
Segundo as fontes, Trump não tem planos atuais de respaldar as ambições políticas do senador, que deixou o Brasil após a derrota na eleição presidencial de 2026 e viajou para os Estados Unidos. As pessoas ouvidas pela agência, porém, afirmaram que o presidente norte-americano ainda pode mudar de posição.
A postura indica uma possível cautela de Washington para evitar uma nova crise diplomática com o Brasil, depois de meses de oscilações nas relações entre os dois países.
Trump autorizou entrada de Flávio nos EUA
Embora não pretenda declarar apoio político ao senador, Trump autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e de sua família nos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, recomendou que a autorização fosse concedida.
Durante a viagem, funcionários do Departamento de Estado e do Departamento de Segurança Interna discutiram os procedimentos legais para permitir a entrada da família. Ao final, foi concedida a chamada parole humanitária, uma autorização temporária utilizada em situações de urgência humanitária ou quando há interesse público significativo.
A viagem foi organizada com a ajuda de Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, segundo uma das fontes ouvidas pela agência.
Flávio se declarou líder legítimo do Brasil
Na quarta-feira (28), Flávio publicou uma carta aberta na rede social X na qual se apresentou como “presidente eleito”. Posteriormente, retirou essa expressão e publicou uma nova versão, na qual passou a se declarar o “líder” legítimo do Brasil.
A manifestação ocorreu depois da eleição presidencial de domingo (25), vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, que garantiu a reeleição por uma diferença de aproximadamente 3,5 pontos percentuais, conforme o relato da Reuters.
Na segunda-feira (26), Trump afirmou que a eleição brasileira havia deixado uma “péssima impressão” e sugeriu que o processo poderia ter sido manipulado. Ao mesmo tempo, declarou que não havia oferecido apoio a nenhum candidato e disse manter boa relação com Lula.
“Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, afirmou o presidente norte-americano a jornalistas.
Viagem ocorreu após ordem sobre passaporte
A saída de Flávio do Brasil aconteceu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega do passaporte do senador, atendendo a um pedido da Polícia Federal. A medida está relacionada a uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Segundo informações relatadas pela Reuters, Flávio, a esposa e as duas filhas atravessaram uma ponte na fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27). De lá, embarcaram em um avião fretado com destino a Miami, nos Estados Unidos, com escala no Equador.
A agência informou que não conseguiu esclarecer como o senador percorreu cerca de 1.300 quilômetros entre Brasília e a fronteira argentina nem como deixou o país sem o conhecimento das autoridades alfandegárias brasileiras.
Fontes brasileiras ouvidas pela Reuters avaliaram que a saída do senador pode enfraquecer a oposição conservadora no Congresso. Uma terceira autoridade norte-americana também afirmou que a decisão de deixar o país reduziu o capital político de Flávio entre setores conservadores que esperavam que ele liderasse a oposição.
O pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está preso após condenação por tentativa de golpe de Estado. Já Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, vive nos Estados Unidos e foi condenado pelo STF em junho por tentativa de obter interferência do governo Trump no julgamento do pai.
Até a publicação do relato da Reuters, a Casa Branca havia encaminhado o pedido de posicionamento ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e um representante de Flávio Bolsonaro também não haviam se manifestado.