Dois manifestos divergem quanto ao controle da pandemia em Uberaba, sendo um assinado pela Arquidiocese e outro pela Sociedade Civil Organizada
Arquidiocese de Uberaba divulga manifesto pedindo “lockdown rigoroso” em Uberaba e região para frear avanço da pandemia de Covid-19 no município. No documento, a entidade também cobra fiscalização mais efetiva do cumprimento das regras e até agilidade na aplicação das vacinas. Na edição de hoje do Jornal da Manhã está publicado outro manifesto em que a Sociedade Civil Organizada (SCO) se posiciona contra o fechamento total do comércio, da indústria e da prestação de serviços.
A publicação da Igreja Católica, assinada pelo arcebispo dom Paulo Mendes Peixoto e padres da cidade de Uberaba, defende que a realidade atual em Uberaba mostra que não é a hora de flexibilizar restrições, mas sim reforçar medidas para controlar a situação, ainda que sejam consideradas impopulares.
Conforme o documento, a cidade vive o pior momento da pandemia, apresentando elevado número de óbitos e de pessoas com resultados positivos nos últimos dias. Além disso, é citada a possibilidade de colapso no sistema de Saúde, por causa do crescimento do número de pacientes com necessidade de internação.
No manifesto, a Arquidiocese de Uberaba posiciona que o cenário não é compatível com o negacionismo diante da pandemia. O texto ainda menciona que é observada “irresponsabilidade de grande parcela da população em relação às orientações para impedir a circulação do vírus, morosidade da vacinação e a omissão de lideranças em relação aos mais pobres e vulneráveis”.
Desta forma, além da determinação do lockdown, a entidade requer fiscalização mais efetiva, com a aplicação de multas aos infratores e cobranças das penalidades. Com a defesa do fechamento de atividades, também é defendido um Auxílio Emergencial suficiente para a população pobre e um programa de renda mínima aos proprietários das pequenas e médias empresas.
Outra demanda da entidade é a descentralização dos pontos de vacinação contra a Covid-19 para ampliar a imunização da população com mais rapidez.
Na publicação de hoje, a Sociedade Civil Organizada avalia que os números têm deixado evidente que o melhor caminho não é o fechamento do comércio, das atividades industriais e a interrupção na prestação de serviços, que podem gerar mais prejuízos às empresas e, por consequência, agravar a situação de desemprego. A organização, que congrega várias entidades representativas do empresariado local, acredita que o “controle da incidência de novos casos da doença pode ser feito com a adoção de medidas menos drásticas, por meio de uma fiscalização eficiente”.