PARCERIA ERRADA

Jammal quer devolução de área pública cedida à Atlas

Marconi Lima
Publicado em 11/08/2026 às 20:15Atualizado em 11/08/2026 às 20:17
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Durante a votação, na Câmara Municipal de Uberaba (CMU), que aprovou o Projeto de Lei (PL) 545/2026 que autoriza o Município de Uberaba a doar, com encargo, área pública e conceder incentivos fiscais à empresa Guofuhee Brasil Ltda., o vereador Marcos Jammal (PSDB) disse que vai propor a devolução da área que foi doada à Atlas Agro.

A Atlas Agro anunciou em 2024 um investimento de R$4,3 bilhões na construção da fábrica de fertilizantes nitrogenados. A unidade utilizará hidrogênio verde e está prevista para entrar em operação em 2028. No mesmo ano, a empresa firmou parceria estratégica com a “Casa dos Ventos”, um dos líderes na geração de energia renovável com mais de 55,8 gigawatts (GW) de projetos desenvolvidos ou em desenvolvimento em todo o país. A parceria garantirá o fornecimento da energia renovável para UGF a partir de novos parques eólicos e solares a serem construídos exclusivamente para este empreendimento de Uberaba. 

Em maio do ano passado, a Atlas Agro informou que o projeto para o município seguia em desenvolvimento, sem alteração e que a expectativa para o início da construção da unidade em Uberaba ocorresse ainda em 2025. O prazo para a entrada em operação da primeira fábrica de fertilizantes nitrogenados a partir do hidrogênio verde no município seria para 2028. 

Recentemente, Marcos Jammal esteve na área em que estava prevista a instalação da unidade da Atlas Agro e divulgou as imagens do local. De acordo com a publicação do vereador, no local não havia nenhum sinal de construção.
Na sessão plenária de segunda-feira (10), o tucano disse ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, Celso Neto, que apresentaria o projeto com pedido de devolução da área ao município. No plenário da CMU, o secretário estava acompanhando de representantes da Guofuhee Brasil.
A planta anunciada para Uberaba teria capacidade de produção de 500 mil toneladas por ano de fertilizantes para atender os clientes da região. Com esse volume, a fábrica previa reduzir em 2,5% a dependência de importação de fertilizantes do país.

Conforme a Atlas Agro, a fábrica de Uberaba seria um dos projetos de hidrogênio verde mais avançados em todo o Brasil. Além disso, a empresa teria como principal investidor a Macquarie Asset Management, empresa Australiana que é reconhecida como um dos maiores fundos de infraestrutura do mundo, com mais de US$800 bilhões de dólares de ativos sob gestão. 

PMU prevê fim de obras da fábrica 

Prefeitura de Uberaba informou que tem ciência da manifestação do vereador Marcos Jammal (PSDB) em relação à área destinada ao investimento da Atlas Agro no município. O Executivo destacou que acompanha as etapas do empreendimento, conforme o cronograma aprovado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social (Comdesu).

De acordo com o cronograma, a conclusão da engenharia está prevista para 2027. Na sequência, será submetido à aprovação o investimento final do projeto e, após essa etapa, estão previstas as obras, com duração estimada em três anos e conclusão projetada para o início de 2031, dentro do prazo estabelecido no termo de compromisso de doação do terreno, renovado até dezembro de 2031.

A Prefeitura mantém reuniões periódicas de acompanhamento e prestação de contas com a empresa e demais instituições envolvidas. Entre os avanços estão o andamento do licenciamento ambiental, a conclusão da engenharia conceitual, a implantação de escritório da empresa no Centro de Inovações Moon Hub e os avanços na estruturação energética e comercial do empreendimento.

A Atlas Agro anunciou para Uberaba a implantação de uma planta de fertilizantes nitrogenados de baixo carbono, a primeira do hemisfério sul baseada em hidrogênio verde. O projeto multibilionário prevê o uso exclusivo de ar, água e energia renovável.

Segundo a Atlas Agro, a eletricidade renovável é usada para produzir hidrogênio verde através da eletrólise da água. Esse hidrogênio será então transformado em amônia e ácido nítrico para produzir nitrato de amônio (NA) zero carbono granulado e líquido.

O fertilizante de nitrogênio verde da UGF, conforme a empresa, substituirá os fertilizantes cinzas importados feitos de gás natural e carvão. Ele permitirá que os agricultores brasileiros liderem o caminho para uma nova geração de agricultura sustentável. O AN também é considerado tecnicamente superior à ureia e é consumido diretamente pelas lavouras, não requer nitrificação no solo e é compatível com técnicas de agricultura de precisão.

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