Tribunal de Justiça de Minas condenou os publicitários Marcos Valério Fernandes de Souza, Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso a 16 anos e nove meses de prisão
Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou os publicitários Marcos Valério Fernandes de Souza, Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso a 16 anos e nove meses de prisão, cada um, em regime fechado. Eles respondiam a processo criminal por crimes de lavagem de dinheiro e peculato, por estarem envolvidos no desvio de R$3,5 milhões em verbas públicas usados indevidamente para a campanha de reeleição do ex-governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Ainda cabe recurso contra a decisão no caso conhecido como “mensalão mineiro”.
Conforme denúncia do Ministério Público, os empresários participavam de um esquema criminoso que desviou recursos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), da Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e de empresas do grupo financeiro do antigo banco estatal Bemge S.A. O grupo também repassava verbas de empresas privadas para o Estado de Minas Gerais e utilizava a estrutura de lavagem de dinheiro por meio da empresa de publicidade SMP&B, para dar aparência de legalidade aos recursos da campanha eleitoral e também para dificultar a identificação da origem e da natureza dos valores.
Eventos esportivos ainda foram patrocinados para subsidiar o repasse dos recursos, mas, ainda segundo o MP, os valores foram entregues à campanha eleitoral ou utilizados diretamente pela SMP&B para o pagamento de prestadores de serviço. Vale lembrar que, em outra ação, o ex-governador já teve a sua pena fixada em 20 anos e um mês de reclusão, além do pagamento de multa, pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
Também haviam sido denunciados e, posteriormente, tiveram os processos desmembrados os políticos Walfrido dos Mares Guia Neto, Clésio Andrade, Cláudio Mourão da Silveira, Eduardo Pereira Guedes Neto, Fernando Moreira Soares, Lauro Wilson de Lima Filho, Renato Caporali Cordeiro, José Afonso Bicalho Beltrão da Silva, Jair Alonso de Oliveira, Sylvio Romero Perez de Carvalho e Eduardo Pimenta Mundim.