Legislativo vai pleitear que recursos oriundos da venda da folha da Prefeitura sejam direcionados para a criação da Unidade Básica de Saúde do Servidor e, também, para a reforma da sede do Ipserv. Ao todo, R$22 milhões serão desembolsados pelo Banco do Brasil para assumir a folha de pessoal do município.
A prefeita Elisa Araújo (Solidariedade) já havia manifestado que os recursos da venda da folha seriam destinados ao funcionalismo e até citou que parte da verba poderia ser utilizada para o pagamento da progressão de carreira dos servidores que está represada.
No entanto, a vereadora Luciene Fachinelli (PSL) argumenta que as progressões de carreira são obrigações patronais. A parlamentar defende que a aplicação dos recursos seja mais ampla para políticas de valorização do funcionalismo e afirma que apresentará uma série de iniciativas voltadas para a categoria que podem ser contempladas com os R$22 milhões. “Quero uma reunião com a prefeita antes que esse dinheiro seja gasto de forma difusa”, pondera.
Integrante da Comissão dos Servidores Públicos na Câmara Municipal, a vereadora adianta que pretende reapresentar ao governo municipal a proposta de utilizar os recursos da venda da folha para a criação da Unidade Básica de Saúde do Servidor. A ideia seria implantar o serviço no prédio onde atualmente funciona a UPA São Benedito, que deve mudar de local.
Outra proposta defendida pela parlamentar é destinar parte do recurso para a reforma da sede do Ipserv, no antigo imóvel do Jockey. “Acredito que com R$4 milhões deixaremos aquele espaço um brinco para uso do servidor público e seus familiares”, acrescenta.
Além disso, Luciene defende que a verba seja destinada para custear a concessão de bolsa de estudos para servidores e até dependentes. “A renda do servidor caiu, o que impede sua qualificação de modo continuado. Quando a Prefeitura faz uma prova de certificação interna apenas com professores concursados e mais da metade dos diretores de escola são reprovados, é porque está faltando investimento interno na qualificação. Quando a Prefeitura contrata consultoria é porque está faltando oportunidade de qualificação interna. Esse dinheiro tem que servir pra isso, até porque a médio prazo a Prefeitura não precisaria contratar tais consultorias”, alega.
A vereadora ainda questionou o motivo de a Prefeitura não chamar os sindicatos que representam os servidores, a Associação de Aposentados do Ipserv e a Comissão de Assistência aos Servidores Municipais da Câmara para participar das negociações que culminaram na venda da folha para o Banco do Brasil. Segundo ela, o resultado poderia ter sido melhor. “Esses R$22 milhões, em menos de 1 ano, o banco recupera só com empréstimos consignados e seguros vendidos para os servidores, sem falar na aplicação de recursos da própria folha. Negócio da China”, finaliza.