Petista ampliou votação em diferentes regiões da cidade e reduziu pela metade a vantagem de Flávio Bolsonaro, que permaneceu como o mais votado no município
A vitória de Flávio Bolsonaro (PL) em Uberaba no segundo turno da eleição presidencial não se repetiu em todos os bairros da cidade. Embora tenha mantido a maioria dos votos no município, o candidato perdeu a liderança em sete bairros para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conseguiu ampliar sua votação em diferentes regiões entre os dias 4 e 25 de outubro.
A mudança revela um cenário mais equilibrado do que o registrado no primeiro turno. Lula recebeu 87.606 votos na segunda votação, 18.715 a mais que os 68.891 conquistados inicialmente. Flávio Bolsonaro passou de 91.107 para 98.581 votos, crescimento de 7.474.
Com isso, a distância entre os dois candidatos, que era de 22.216 votos no primeiro turno, caiu para 10.975 no segundo. O candidato do PL encerrou a disputa com 52,95% dos votos válidos em Uberaba, enquanto o presidente reeleito alcançou 47,05%.
A distribuição dos votos por bairros permite observar diferenças que ficam escondidas no resultado geral do município. Já no primeiro turno, algumas regiões apresentavam disputas bastante apertadas, enquanto outras registravam vantagens expressivas para um dos candidatos.
Na Vila Arquelau, por exemplo, Flávio Bolsonaro havia recebido 1.209 votos, apenas dez a mais que Lula, que somou 1.199. No Parque Gameleiras, a diferença também foi pequena: 1.446 votos para o candidato do PL e 1.427 para o petista. Os dois casos ilustram o equilíbrio registrado em determinadas regiões na primeira votação.
Em outras localidades, a vantagem de Flávio era consideravelmente maior. No bairro São Sebastião, o candidato recebeu 3.152 votos no primeiro turno, contra 1.081 de Lula.
O comportamento do eleitorado também pode ser analisado a partir dos índices de comparecimento. Uberaba chegou às eleições de 2026 com mais de 236 mil eleitores aptos a votar, distribuídos em uma estrutura de 858 seções cadastradas, sendo 795 principais e 63 agregadas. Desse total, 372 seções contavam com acessibilidade, conforme levantamento publicado pelo JM Online às vésperas do segundo turno.
A participação dos eleitores, entretanto, não foi uniforme entre as regiões da cidade. Levantamento com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou uma diferença de 13,23 pontos percentuais entre os índices de abstenção registrados nos bairros analisados no primeiro turno. Em uma das localidades, mais de 32% dos eleitores deixaram de comparecer às urnas, evidenciando diferenças significativas na participação eleitoral dentro do próprio município.
Essas diferenças acrescentam uma dimensão importante à análise do resultado por bairros. A ausência de eleitores pode modificar o peso de cada região na votação, mas os dados disponíveis não permitem afirmar que a queda da abstenção tenha sido responsável pela mudança de liderança nas sete localidades. Para estabelecer essa relação, seria necessário comparar os índices de comparecimento e a distribuição dos votos em cada uma delas nos dois turnos.
No conjunto do município, houve aumento da participação. No primeiro turno, 186.055 eleitores compareceram às urnas para a votação presidencial. No segundo, foram 191.864, crescimento de 5.809 votantes. A abstenção recuou de 21,44% para 18,98%, enquanto o total de votos brancos e nulos diminuiu de 7.810 para 5.677.
Com mais eleitores presentes e menos votos sem indicação de candidato, o volume de votos válidos aumentou. Ainda assim, não é possível identificar, apenas pela comparação dos resultados, se eleitores que haviam escolhido Flávio Bolsonaro mudaram de preferência ou se o avanço de Lula ocorreu principalmente entre aqueles que votaram em outros candidatos no primeiro turno.
Mesmo com a redução da diferença, Uberaba manteve uma preferência distinta da registrada no conjunto de Minas Gerais. No estado, Lula venceu o segundo turno com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio Bolsonaro. Já no município, o candidato do PL permaneceu à frente, como mostrou o JM Online na análise do resultado geral da votação.