JOGO POLÍTICO

Marão vê eleição da Câmara decidida, critica antecipação e descarta romper com Elisa

Presidente do Legislativo reconhece vantagem da chapa de Fernando Mendes e admite falas equivocadas após resultado eleitoral, mas nega intenção de virar oposição

Larissa Prata
Publicado em 29/10/2026 às 11:32Atualizado em 29/10/2026 às 11:32
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(Foto/Reprodução Redes Sociais)

O presidente da Câmara Municipal de Uberaba, Ismar Marão (PSD), considera que a chapa encabeçada por Fernando Mendes (Republicanos) já reúne apoio suficiente para vencer a eleição da próxima Mesa Diretora, embora critique a antecipação das articulações. Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, nesta quinta-feira (29), o vereador também descarta rompimento com a prefeita Elisa Araújo (PSD) e reconhece que manifestações após o resultado das eleições podem ter provocado uma interpretação diferente sobre seu posicionamento.

“A questão hoje é que já tem uma chapa vencedora da Câmara Municipal, que se apresentou naquela foto”, afirma. A avaliação se refere ao grupo que anunciou publicamente apoio a Fernando para comandar o Legislativo no biênio 2027-2028.

A composição foi divulgada em 7 de outubro com 11 apoiadores entre os 21 vereadores. Além de Fernando na presidência, prevê Lu Fachinelli (União Brasil) na primeira vice-presidência, Cabo Diego (PL) na segunda, Samuel Pereira na primeira secretaria e Varciel Cabeleireiro na segunda. O manifesto reúne integrantes da base e da oposição e defende a independência do Legislativo. 

Marão sustenta que tentou adiar a disputa interna até o encerramento das eleições gerais. “Eu lutei e batalhei de todas as formas para que isso fosse feito no tempo correto e, infelizmente, eu não consegui isso”, declara. Na avaliação dele, a antecipação torna o processo mais traumático, mas reflete a autonomia dos vereadores.

Apesar de considerar o cenário favorável ao grupo de Fernando, ressalta que o anúncio público ainda não corresponde ao registro formal da chapa. Sobre uma possível articulação alternativa, diz que procura compreender a movimentação para se posicionar, sem anunciar apoio a outro candidato. A eleição, segundo ele, deve ocorrer em dezembro, provavelmente no dia 2.

“Não tenho motivo nenhum para virar oposição”

A disputa pelo comando da Câmara acontece depois da eleição em que Marão concorreu à Assembleia Legislativa e o vice-prefeito Mauricinho de Sá disputou a Câmara dos Deputados, ambos pelo PSD e com apoio de Elisa. Nenhum dos dois conquistou mandato. Ao avaliar o resultado, o presidente do Legislativo relata frustração inicial, mas afirma que recebeu apoio expressivo de integrantes da administração durante a campanha.

“A ajuda que eu tive da Prefeitura foi maciça, maciça”, afirma. Segundo ele, a reação à derrota inclui manifestações que podem ter alimentado a expectativa de um afastamento do governo.

“Cometi algumas falas equivocadas, sim, mas no calor da coisa”, reconhece. O vereador não especifica quais declarações considera equivocadas, mas rejeita a interpretação de que pretende mudar de lado. “Eu não tenho motivo nenhum pra virar oposição.”

Marão argumenta que a parceria com o Executivo permitiu construir projetos que ainda precisam avançar nos dois anos restantes da gestão. Cita o financiamento aprovado pela Câmara e as intervenções no abastecimento de água como exemplos de iniciativas que pretende continuar acompanhando.

O vereador também atribui parte das dificuldades eleitorais à polarização. Afirma se identificar com a direita, mas defende o diálogo e a convivência com pessoas de outras posições políticas. Para ele, divergências dentro da base não justificam abandonar os projetos que ajudou a viabilizar.

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