Embora o ressurgimento da Associação dos Municípios do Vale do Rio Grande (Amvale) seja comemorado pelas lideranças políticas da região, os representantes do grupo de oposição ao prefeito Anderson Adauto (PMDB) estão temerosos quanto ao momento para a iniciativa, devido à proximidade das eleições para deputados estadual e federal em 2010.
Para o democrata Marcos Montes, a ação é importante, mas estranha a entidade ter ficado esquecida durante o primeiro mandato de AA.
“Nesses quatros anos ele não teve preocupação e não deixou a Amvale avançar. Agora, com a possibilidade de candidatura em 2010, os trabalhos começam a andar. Causa suspeita”, reforça.
De acordo com MM, a situação deixou os demais prefeitos em alerta, e a proposta de Anderson assumir de imediato a presidência, mesmo que temporariamente, só será definida no próximo encontro. Ele salienta também que o uso politiqueiro da associação é um risco conhecido de Anderson, pois na época da antiga Amgra essa estratégia deixou um passivo muito grande nas contas da entidade.
“Não sei qual é o intuito do prefeito. Mas ele tem que buscar o espaço dele, inclusive para promover nomes de terceiros. Ele tem instrumentos para tal. A Amvale não é espaço para política pessoal”, adverte.
Já o presidente do PSDB em Uberaba, Luiz Cláudio Souza Campos, considera a reativação válida, mas também salienta que o timing levanta questionamentos sobre o real interesse com o trabalho. Ele espera que a ação seja democrática, abrindo campo para todos os prefeitos da microrregião. O tucano não avalia que a associação tenha tanta credencial para alavancar novos candidatos em torno das eleições de 2010, pois não seria suficiente para quebrar os vínculos já firmados pelos parlamentares com os prefeitos, vereadores e lideranças políticas, através do trabalho apresentado no mandato. No entanto, Campos pondera que o tempo dirá se a iniciativa de reativar a Amvale é legítima ou não.
“Se for com esse espírito eleitoreiro, a associação terá dificuldades de sobrevivência”, sentencia.