No que depender da oposição – e até de alguns aliados – as sugestões da presidente Dilma Rousseff (PT) para a realização do plebiscito para a reforma política não vão prosperar no Congresso Nacional. “A presidente quer tirar o foco das manifestações de cima dela e jogar em cima da Câmara e do Senado”, disparou o deputado federal e vice-líder do PSD, Marcos Montes, que passou o dia ontem em reuniões com lideranças partidárias na Casa. Mais cedo, o líder do Democratas no Senado, José Agripino, havia dito que a presidente tem todo o direito de fazer as sugestões que quiser, e o Congresso fará o que julgar a sua obrigação, dentro do prazo e debates possíveis e necessários. Já o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), indicou que vai sustentar a proposta da Comissão da Reforma e um referendo, mesmo trabalhando contra o governo. Eventual candidato à Presidência da República em 2014 pelo PSDB, o senador Aécio Neves avalia que os temas sugeridos para a formulação do plebiscito são absolutamente inviáveis do ponto de vista prático. Para ele ainda, a matéria é diversionista. “A presidente da República quer dizer aos brasileiros que aquilo que os levou às ruas foram as propostas que interessam ao PT na reforma política, e não a calamidade da saúde pública, a falência da mobilidade urbana, em especial o transporte público, o aumento da criminalidade.” Na opinião de Marcos Montes, cabe ao Congresso fazer a reforma política, é sua “obrigação”, focando principalmente nas propostas que têm consenso, como a realização de eleições gerais a cada quatro anos e o voto distrital ou distrital misto. Assim como o senador Aécio Neves, MM não vê viabilidade na realização do plebiscito, considerando a complexidade do tema a ser discutido em tão pouco tempo. “Não vamos conseguir explicitar”, completa Marcos Montes. “Na verdade, o que a presidente busca fazer é convidar o Congresso Nacional para um passeio de primeira classe numa cabine do Titanic”, sentenciou Aécio.