Segundo o Sind-UTE, 15 das 40 escolas estaduais em Uberaba registraram algum nível de adesão à greve nacional
A greve dos profissionais da educação da rede estadual de Minas Gerais começou nesta semana e já apresenta reflexos em Uberaba. De acordo com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), cerca de 15 escolas do município registram algum nível de adesão ao movimento, em um universo aproximado de 40 unidades estaduais.
A paralisação foi aprovada em assembleia estadual realizada em Belo Horizonte e teve início no dia 4 de março, com indicativo de duração por tempo indeterminado. Entre as principais reivindicações da categoria estão a recomposição salarial de 41,83%, índice que, segundo o sindicato, corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025, além da aplicação integral do piso nacional do magistério para 2026, fixado pelo Ministério da Educação em R$ 5.130,63.
Segundo a coordenadora regional do Sind-UTE em Uberaba, Maria Aparecida Oliveira, a mobilização na cidade ainda ocorre de forma gradual. Ela explica que a adesão não tem sido total nas escolas, mas afirma que o movimento está em crescimento. “Nós começamos a greve no dia 4 e estamos construindo o movimento nas escolas. Hoje já temos 15 escolas atingidas, dentro de um universo de 40, mas nenhuma totalmente fechada. A adesão está sendo lenta, mas o processo é contínuo”, afirmou durante entrevista ao Pingo do J na Rádio JM.
De acordo com a dirigente sindical, o receio de perda salarial tem sido um dos fatores que dificultam uma adesão mais rápida. “Os professores querem entrar no movimento, mas muitos estão com medo. Eles já ganham muito pouco e têm receio de que, se faltar parte do salário, não consigam manter as despesas básicas”, disse.
A pauta da greve também envolve o pagamento integral do piso nacional da categoria. Conforme o sindicato, atualmente os profissionais da rede estadual recebem apenas parte do valor definido nacionalmente. “Hoje o piso anunciado pelo MEC é de R$ 5.130, mas o Estado não paga nem integral nem proporcional corretamente. Quando o atual governo assumiu, nós tínhamos cerca de 78% do piso sendo pago. Hoje estamos em torno de 58%”, afirmou Maria Aparecida.
O sindicato também critica a forma como o governo estadual remunera os profissionais da educação. Segundo a Maria Aparecida, mesmo sendo exigida licenciatura plena para ingresso na carreira, muitos professores recebem como se tivessem apenas formação de ensino médio. De acordo com ela, essa distorção gera perdas salariais mensais para a categoria. “O professor entra com licenciatura plena, porque é o que exige o nosso plano de carreira, mas o Estado paga como se fosse ensino médio. Isso representa uma perda de cerca de 10% no salário todo mês, o que dá aproximadamente R$ 1.222”, afirmou.
O reajuste linear de 5,4% anunciado pelo governo estadual não agradou a categoria. Segundo a presidente do Sind-UTE, o índice não atende às demandas da categoria. “Esse reajuste de 5,4% foi anunciado antes mesmo da greve começar e não agrada nenhuma categoria do funcionalismo. Nós estamos com perdas acumuladas de 41,83%, por isso a mobilização”, declarou.
A diretora do sindicato em Uberaba, Ana Paula de Castro, aponta que, além da questão salarial, professores relatam pressão nas escolas em relação à participação no movimento. “Já chegaram memorandos em algumas escolas falando sobre corte de pagamento. Isso acaba gerando medo, principalmente entre os contratados. Mas a greve é um direito garantido pela Constituição para todos os trabalhadores”, revelou ao Pingo do J.
Segundo ela, caso haja corte de ponto durante o período de paralisação, a legislação permite a reposição das aulas posteriormente, com a possibilidade de compensação salarial. O sindicato também orienta que profissionais que se sintam pressionados ou sofram qualquer tipo de assédio procurem a entidade para acompanhamento jurídico.
A mobilização deve continuar nos próximos dias com visitas às escolas e novas reuniões da categoria para avaliar o avanço da adesão em Uberaba e na região. Enquanto isso, o movimento aguarda a abertura de negociações com o governo estadual.