Por dez votos a um, a Executiva Estadual do PMDB decidiu pela intervenção no Diretório do partido em Uberaba. Houve um pedido de vistas do processo, mas que não foi acatado
Cúpula do PMDB mineiro se reuniu ontem durante 4 horas para discutir o destino da sigla em Uberaba
Por dez votos a um, a Executiva Estadual do PMDB decidiu, ontem, pela intervenção no Diretório do partido em Uberaba. Houve um pedido de vistas do processo, mas que não foi acatado pelo comando peemedebista, porque o mecanismo não está previsto nesses casos. Caciques da agremiação, como os ex-senadores Ronan Tito, Hélio Costa e Wellington Salgado, acompanharam o julgamento, que começou com quase uma hora de atraso, por volta de 10h, e terminou às 14h.
Isto porque, antes de dar início à reunião – programada para as 9h –, um grupo de peemedebistas teria tentado buscar um acordo entre os signatários do pedido de intervenção – o reitor da Uniube, Marcelo Palmério, e o secretário-geral do PMDB/Uberaba, João Caldas – e o prefeito Anderson Adauto, que foi a Belo Horizonte acompanhado da primeira-dama e chefe de gabinete Angela Mairink. Não houve entendimento. AA foi acusado de infidelidade partidária nas eleições de 2010; de esvaziamento na formação da chapa de vereadores do partido para o pleito deste ano; de indicar uma pré-candidatura inviável (do seu secretário de Governo, Rodrigo Mateus), e que não foi compartilhada ou negociada com o coletivo partidário.
Após a abertura dos trabalhos – que não puderam ser acompanhados por assessores – foram ouvidas as testemunhas de defesa do pedido de intervenção, os vereadores Marcelo Borjão (DEM) e Tony Carlos (PMDB), e contrárias à medida: os advogados João Adalberto de Andrade e Alexandre Pires. Posteriormente, Palmério fez suas alegações, assim como Anderson Adauto, para então o relator do processo, Geraldo Godoy (tesoureiro adjunto da Executiva Estadual), solicitar um intervalo para preparar seu parecer.
Primeiro a se posicionar, Geraldo foi favorável à intervenção. Na sequência, o deputado estadual Ivair Nogueira votou contrário à medida, por entender que ainda haveria espaço para o diálogo. Ele também apresentou um pedido de vistas, em nome do secretário-geral do PMDB, o também deputado estadual Antônio Júlio, que não pôde comparecer à sessão.
Todo o processo foi acompanhado pela assessoria jurídica do partido, que negou o pedido, sob a justificativa de que não está previsto nesses casos. O voto seguinte foi do primeiro vice-presidente, o deputado federal Leonardo Lemos Barros Quintão, favorável à intervenção, assim como os demais. O deputado federal Paulo Piau, pré-candidato do partido à sucessão municipal e integrante da Executiva, se absteve de votar.