Ao avaliar a intervenção no Diretório Municipal do PMDB – definida anteontem pelo comando estadual do partido –, o vereador Itamar Ribeiro (DEM) disse que o resultado da votação surpreendeu, pela “goleada de dez a um”. Para ele, a votação foi acachapante e humilhante para um partido que tem tradição em Uberaba e para um político [Anderson Adauto] com história local e nacional.
AA tenta emplacar seu pré-candidato a prefeito, Rodrigo Mateus, que não decola nas pesquisas, enquanto a direção mineira do PMDB defende o nome melhor posicionado. Nesse sentido, o deputado federal e também prefeitável Paulo Piau sai na frente nessa corrida à sucessão, tanto que Anderson o acusa de estar por trás do pedido de intervenção, com a qual será beneficiado.
Para Itamar, a decisão do PMDB-MG vai deflagrar o quadro político de Uberaba, pois até então um grupo esperava o outro para se posicionar. Ele observa que a oposição à atual administração, da qual faz parte, marcha com dez 10 partidos e vai se movimentar no sentido de lançar seu candidato. Prefeitável do DEM, ele vê com reservas as conversas dando conta de uma aproximação com Paulo Piau para essa disputa, contudo, pondera: “Em política tudo pode acontecer, mas vejo dificuldade de o governador [Antonio Anastasia] apoiá-lo”.
Também pré-candidato do DEM, o vereador Marcelo Borjão fez um inflamado pronunciamento ontem em plenário, quando disse que acabou a era Anderson Adauto, ao se referir à decisão da Executiva estadual do PMDB. Dizendo-se de alma lavada, o democrata – que foi testemunha de defesa dos autores do pedido de intervenção – contou que sentiu-se entristecido ao ver o prefeito, que se diz tão forte, ser desmoralizado por deputados e senadores, e tomar uma surra por dez a um [referindo-se ao placar da votação].
“Eu fui a Belo Horizonte para ser testemunha e, para minha surpresa, foram muitos integrantes do governo municipal à capital fazer coro ao prefeito, enquanto deveriam estar aqui trabalhando”, denunciou Borjão. O vereador, que deixou o PMDB ano passado após uma série de atritos com parte do comando partidário, inclusive com AA, disse que o ex-correligionário o perseguiu, mas que tanto seu depoimento como de Tony Carlos (também testemunha de defesa) foram fundamentais para desmoralizar Anderson Adauto.