“A Câmara Municipal está prejudicando efetivamente o desenvolvimento de Uberaba ao não votar o Plano Diretor”, afirmou ontem o prefeito Paulo Piau (PMDB) sobre a demora para a votação do projeto no Legislativo. A proposta de revisão do plano já tramita há dois meses na Casa, foi discutida em audiência pública e chegou a ser incluída na pauta, mas foi retirada por falta de consenso em relação às emendas parlamentares apresentadas ao texto. Reuniões foram realizadas no mês passado com técnicos da Prefeitura para viabilizar a votação, mas até agora o assunto não avançou em plenário e evidenciou a crise no relacionamento entre o Executivo e o Legislativo. Esta semana, o líder do prefeito na Câmara, Luiz Dutra (SDD), chegou a colocar na pauta de votação uma proposta para alterar o Regimento Interno da Casa e diminuir o número de votos para aprovar projetos de lei complementar. A manobra facilitaria a aprovação do Plano Diretor, porém não chegou a ser efetivada. O prefeito afirma desconhecer um problema político com a Câmara e declara que o Legislativo não tem motivo para adiar a votação do Plano Diretor. “Fico constrangido porque os empresários que querem investir em Uberaba não procuram a Câmara e eu não tenho justificativa para dar a esse pessoal [sobre o Plano Diretor]”, argumenta. De acordo com Piau, os parlamentares tiveram a oportunidade de apresentar emendas ao projeto elaborado na Prefeitura e a equipe está à disposição para esclarecer sobre as alterações aceitas no texto. Questionado, o peemedebista não acredita que os vereadores estejam articulando para utilizar o Plano Diretor como moeda de troca para viabilizar o pagamento das emendas orçamentárias de 2013 e 2014. O assunto foi levantado em plenário na segunda-feira (12), após mais uma rodada de debate em relação à proposta. PP tachou o uso de barganha como um “jogo pequeno e baixo demais”, ressaltando que os interesses de Uberaba devem estar acima de questões como essa. Entretanto, salientou que se o problema estiver relacionado à questão financeira, os vereadores já foram informados sobre o cancelamento dos empenhos no ano passado e sobre o prazo necessário para refazer todo o processo para a liberação dos recursos. “Não acredito que seja por causa das emendas [orçamentárias] ou por um problema político porque ninguém trouxe que teve embaraço político. Se os vereadores têm um problema específico, nos falem para que a gente possa chegar a um acordo e votar o Plano Diretor”, finaliza.