Em que pesem os apelos da Mesa Diretora ao prefeito Paulo Piau para que proceda à indicação, ele ainda costura com sua base a definição do nome do vereador que irá exercer o posto
Faltando 15 dias para a primeira reunião plenária do ano na Câmara, em 10 de fevereiro, permanece o suspense quanto ao novo líder governista. Em que pesem os apelos da Mesa Diretora da Casa ao prefeito Paulo Piau (PMDB) para que proceda à indicação, ele ainda costura com sua base a definição do nome do vereador que irá exercer o posto. Luiz Dutra (Solidariedade), que exerce o terceiro mandato e já presidiu o Legislativo por duas vezes, é o mais cotado para o cargo.
Os dois sentaram-se na semana passada para tratar do assunto, sendo que a pressa da Mesa Diretora quanto à indicação ocorre porque o líder é legalmente impedido de integrar as Comissões de Justiça, Legislação e Redação; Orçamento e Finanças, e Assistência aos Servidores Municipais, conforme o Regimento Interno (§s 3º e 4º do Artigo 48). Os integrantes dos colegiados serão eleitos na primeira reunião do ano.
Piau adianta que precisa das bênçãos dos aliados para definir seu líder, que na prática, faz a interlocução entre Executivo e Legislativo e deve, essencialmente, ser afinado com o prefeito e manter boas relações com os colegas. Secretário de Governo Wellington Cardoso – cuja pasta é uma das que mais interagem com a Câmara – avalia que a liderança tem que ser exercida por um vereador que conheça o Regimento Interno da Casa.
O nome de Dutra vem sendo cogitado para a função desde o ano passado, já que o então líder, Samuel Pereira (PR), assumiu o cargo por tempo determinado, entre o fim de outubro até a última sessão de dezembro, no dia 19. À época, o republicano ascendeu ao posto com a ida do então titular Tony Carlos (PMDB) para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde assumiu uma cadeira de deputado.
Desde a eleição de 2012 e com o surgimento de dois novos partidos políticos no país, ano passado, a composição de forças na Câmara mudou e a legenda de Dutra detém a maior bancada na Casa, com quatro cadeiras. O presidente do Legislativo e seu vice, respectivamente, Elmar Goulart e China, deixaram o PSL para migrar à nova agremiação, que também ganhou a adesão de Samir Cecílio, então do PR.
O PSL foi oposição a Piau nas eleições de 2012, mas permanece com apenas um representante no Legislativo, Kaká Se Liga, enquanto seus ex-companheiros alinharam-se à administração. Já Samir mantém uma linha de atuação mais independente, assim como Marcelo Borjão (DEM), que foi apoiador de primeira hora de Piau durante o pleito. Afrânio Lara Resende, que era do PP, e Cléber Cabeludo, então do PMDB, migraram para o Pros, e tem adotado uma linha mais oposicionista.
Cléber foi líder do ex-prefeito Anderson Adauto durante seus dois mandatos e é seu aliado há anos. Embora não tenham postura declaradamente de oposição em plenário – assim como Kaká –, Ismar Marão (PSB) e João Gilberto Ripposati (PSDB) estão em partidos que marcharam contrários ao grupo de Piau. Franco Cartafina (PRB) e Edmilson de Paula (PRTB) apoiaram o então candidato a prefeito, enquanto Denise da Supra (PR) assumiu para seu primeiro mandato em novembro do ano passado. Além dela, outros cinco chegaram à Casa pela primeira vez.