Uberaba mantém 46 estruturas espalhadas pelo município; questionada pelo JM, Sesurb não informou localização nem frequência de atendimento de cada ponto
A Prefeitura de Uberaba vai pagar R$ 2,53 milhões pela coleta e pelo transporte de resíduos depositados em caçambas estacionárias nas áreas urbana e rural do município. Embora a contratação tenha sido apresentada pela administração como uma alternativa para facilitar o descarte adequado e combater o abandono irregular de resíduos, a Secretaria de Serviços Urbanos e Obras (Sesurb) não informou ao Jornal da Manhã onde a população encontra as caçambas nem qual é a frequência prevista de atendimento em cada ponto.
O contrato foi homologado no fim de junho e prevê a operação de dois caminhões trucados com poliguindaste duplo, motorista, auxiliar e combustível. A empresa vencedora, Urban Soluções Ambientais Ltda., apresentou proposta de R$ 2.531.108,13, ante orçamento inicial de R$ 2.876.259,24. A contratação já havia sido noticiada pelo JM.
Diante da contratação, o JM procurou a Prefeitura para saber como o serviço funciona na prática: quantas caçambas existem atualmente, onde elas estão, com que frequência são esvaziadas e quais resíduos podem ser descartados.
Segundo a Sesurb, Uberaba mantém hoje 46 caçambas estacionárias distribuídas em áreas rurais, comunidades, equipamentos públicos e outros pontos considerados estratégicos. A pasta, entretanto, não apresentou a relação dos locais atendidos.
Também não foi informado um cronograma específico de coleta para as 46 estruturas. Conforme a Prefeitura, dois caminhões fazem a retirada e a substituição das caçambas e o atendimento varia conforme a demanda. Em alguns locais, a coleta ocorre de acordo com o volume acumulado e, em outros, segue programação semanal, de uma a quatro vezes por semana.
A resposta não esclarece quais pontos recebem coleta uma vez por semana e quais chegam a quatro atendimentos, nem quais dependem apenas da avaliação do volume acumulado.
Sobre o uso das estruturas, a Sesurb informou que podem ser descartados resíduos sólidos urbanos, como restos de pequenas limpezas, podas e materiais inservíveis. São proibidos resíduos perigosos, provenientes de serviços de saúde, industriais ou outros materiais que exijam tratamento específico.
A explicação atual também deixa dúvida sobre as regras de utilização das caçambas porque não coincide integralmente com orientações anteriores da própria Prefeitura.
Em abril de 2025, após uma operação para retirar resíduos descartados irregularmente às margens da LMG-798, a administração informou que as caçambas existentes naquela região eram destinadas exclusivamente ao lixo doméstico dos moradores. Na ocasião, restos de poda apareciam justamente entre os materiais apontados como inadequados para aquele ponto.
À época, a orientação era encaminhar restos de poda, pequenos volumes de entulho, móveis usados, materiais recicláveis e eletroeletrônicos aos ecopontos. Agora, ao responder sobre as 46 caçambas existentes no município, a Sesurb inclui podas e materiais inservíveis entre os resíduos permitidos.
A Prefeitura não esclareceu se as regras mudaram, se existem diferentes tipos de caçamba conforme a região ou se a destinação permitida varia de um ponto para outro.
A falta de detalhamento ocorre justamente quando o Município mantém ações para combater o descarte irregular. Entre 11 de maio e 11 de junho deste ano, a operação Uberaba em Ordem retirou 2.620 toneladas de resíduos deixados inadequadamente em áreas públicas, com gasto informado de R$ 305,2 mil apenas com a limpeza.