POLÍTICA

Professores da rede municipal criticam a exigência de ir às escolas para aula online

Apesar das aulas continuarem remotas, professores são obrigados a irem para as escolas e se queixam da falta de estrutura para transmitir os conteúdos pedagógicos

Gisele Barcelos
Publicado em 08/02/2021 às 21:54Atualizado em 19/12/2022 às 04:56
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Foto/Arquivo

Presidente do Sindicato dos Educadores do Município, Bruno Ferreira, diz que a exigência coloca professores em risco e orienta a categoria a não levar equipamentos próprios para a escola

Professores da rede municipal criticam exigência de comparecimento às escolas para a realização de aulas online. Além de risco de contaminação por causa do deslocamento até as unidades, a categoria alega que os locais de trabalho não têm a estrutura necessária para o atendimento dos alunos no formato virtual.

De acordo com o presidente do Sindemu (Sindicato dos Educadores do Município de Uberaba), Bruno Ferreira, reclamação vem sendo recebida desde a semana passada e os professores relatam dificuldades para executarem as atividades online nas escolas. “As unidades do município de Uberaba não têm a condição estrutural para atender os professores. Não tem notebooks suficientes e a internet é de baixa qualidade [...] Das 78 escolas da Prefeitura, somente dez estão preparadas com condições de trabalho mínimo para fazer a aula online”, aponta.

O sindicalista ainda posiciona que a pandemia de Covid-19 continua avançando na cidade e a exigência de cumprir a jornada de trabalho presencialmente coloca os trabalhadores em risco. Além da exposição no deslocamento, ele ressalta que os professores acabam levando equipamento de casa para a realização das aulas devido à falta de estrutura nas escolas.

Conforme o líder sindical, um manifesto foi lançado nas redes sociais para orientar os professores a não levarem material de casa para realizar o trabalho nas escolas. “Estamos preocupados com a saúde do professor [...] Ele não pode levar notebook para o trabalho porque pode ser uma porta de entrada para contaminar a casa dele”, salienta.

Ferreira afirma que está em contato com os vereadores e tenta uma agenda para discutir com o governo municipal sobre a exigência de cumprimento da jornada de trabalho nas escolas. Ele defende uma modificação no decreto que estabeleceu as regras do sistema de home office para o funcionalismo municipal, permitindo que cada professor escolha se prefere se dirigir até a escola ou trabalhar de casa.

Outro lado. Acionada pela reportagem do Jornal da Manhã, a Prefeitura manifestou que a exigência de cumprimento de carga horária pelos professores nas escolas será mantida, mas não esclareceu porque a norma passou a ser utilizada para a categoria.

Segundo a nota, o teletrabalho será permitido apenas nos casos previstos no decreto municipal em vigor, que inclui servidores com cardiopatias, hipertensão, diabetes, obesidade e outras doenças crônicas. O regime também é liberado para mulheres grávidas com gestação de alto risco.

Quanto à reclamação sobre a falta de estrutura nas escolas para as aulas online, a Secretaria Municipal de Educação posicionou apenas que desde o início do ano está atendendo às solicitações dos gestores para melhorias nas unidades escolares. “A grande maioria das escolas recebeu recursos do governo federal para o programa Educação Conectada Escolas 2020, voltado à universalização do acesso à internet de alta velocidade. A maior parte delas já tem recursos programados para este ano”, encerrou. 

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