A votação ontem do projeto de lei que revogou a permissão para construção de miniloteamentos nas Áreas de Preservação Permanente do rio Uberaba colocou o presidente do Legislativo em saia justa. Ao notar que o texto seria discutido, Luiz Dutra (PDT) disse em alto e bom som que não havia autorizado sua inclusão na pauta, ao que seu autor, João Gilberto Ripposati (PSDB) ameaçou deixar o plenário, já que não havia nenhum impedimento legal para votá-lo.
O pedetista bem que tentou argumentar que o Regimento Interno da Casa estava sendo ferido, mas o tucano não se abateu e ainda insinuou que a ação do presidente tinha como propósito beneficiar um projeto similar de autoria do Executivo, que chegou à Casa na segunda, 12. O texto, porém, não pode tramitar, justamente porque tem conteúdo igual ao proposto por Ripposati, com um detalhe que ele revelou em plenári a matéria foi elaborada mediante solicitação da Promotoria de Meio Ambiente.
“Sinto-me honrado de cumprir meu dever de legislador”, diz Ripposati, afirmando que seu projeto é claro, tanto que encontrou respaldo de seus colegas que o aprovaram. Para o tucano, Dutra foi infeliz nas suas palavras e ainda usou o tempo na condição de presidente para tentar interferir e atrapalhar a tramitação normal e regimental da Casa. “Não sei explicar as razões que o levaram a agir assim”, disse, acrescentando que encontrou seu projeto na sala da Presidência, local inadequado, já que o correto seria no Departamento Legislativo.