Categoria mantém pauta de reivindicação da vacinação contra a Covid para pôr fim ao movimento paredista; nesta quarta, greve deve continuar

No encontro estavam presentes o secretário de Defesa Social, Glorivan Bernardes, o superintendente de Transporte da Pasta, Cristiano Melo da Silva, o presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Uberaba (Transube), André Campos, e o assessor da SDS, Claudinei Nunes e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Uberaba (Sintracol), Roberto Alexandre Vieira e demais dirigentes sindicais (Foto/André Santos/PMU)
Reunião desta manhã (11) entre representantes do governo municipal e motoristas do transporte coletivo não colocou fim ao movimento grevista. O secretário de Defesa Social, Glorivan Bernardes, recebeu o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Uberaba (Sintracol), Roberto Alexandre Vieira, em uma tentativa de dissolver a paralisação, que teve início hoje. O Município estuda, junto à Procuradoria-Geral, a possibilidade de recorrer da decisão judicial, que deferiu parcialmente a greve da categoria, em razão de a atividade ser considerada essencial. Decisão publicada na noite desta segunda-feira não proibiu a greve dos motoristas, mas exigiu que pelo menos 80% da frota estivesse nas ruas nesta terça, sob pena de multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento.
Nesta manhã, apenas doze veículos não saíram da garagem, segundo Glorivan Bernardes. O impacto maior aos usuários foi com relação às linhas que operam no sistema BRT/Vetor. De acordo com Roberto Alexandre Vieira, cerca de 20 motoristas aderiram ao movimento paredista e se concentraram na porta do Centro Administrativo em manifestação. A expectativa da categoria era de que a reunião desta manhã colocasse fim ao movimento paredista ante a definição de data para vacinar os motoristas do transporte coletivo.
“A nossa pauta é da vacina da Covid-19. Nós estamos aqui para definir uma data para vacinar o pessoal do transporte coletivo [...] De acordo com o Programa Nacional de Imunização, a partir desse mês de maio nós já estamos nesse rol de prioridades. Agora vai demandar do poder Executivo para organizar a vacinação para essa categoria”, pontuou à Rádio JM nesta manhã.
Contudo, não foi o que aconteceu. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Uberaba, no encontro, o secretário de Defesa Social, Glorivan Bernardes se restringiu a reforçar com a categoria o empenho do governo municipal junto ao governo federal para inclusão dos motoristas entre os grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização. O secretário ainda se comprometeu a levar ao conhecimento do Estado e do Ministério da Saúde a inclusão desses profissionais em projeto de pesquisa sobre vacinas da UFTM.
Sem acordo, Município e Sintracol voltam à mesa de negociação na quarta-feira. Até lá, a greve continua. “Na reunião, mantiveram o posicionamento anterior, ainda sem respostas sobre a nossa pauta que é a vacina. Não há previsões para a vacinação contra Covid. Inclusive, nós vamos manter o movimento paredista”, afirma.
“Nossa expectativa é que tenha pelo menos uma previsão de data. Que tenham procurado por uma reserva técnica com o Governo Estadual ou Federal e consigam nos informar uma data, que seja daqui 15 dias, 30 dias”, relata o presidente do sindicato.
O líder sindical ainda pondera que em reunião anterior, a prefeita Elisa Araújo (Solidariedade) havia colocado na mesa de negociação uma garantia de vacinar não só os trabalhadores do transporte coletivo como também os cônjuges no fim do mês, por meio de projeto de pesquisa elaborado pela UFTM. “Prefeita tinha nos prometido até o fim do mês, que seria no dia 31 de maio. Poderia sim jogar mais uma semana ou dez dias, que seja, mas definir uma data. Isso é o posicionamento que o pessoal está pedindo e solicitando à prefeita para que defina essa data [...] Essa proposta (de vacinação de esposas e companheiras) foi feita pela Prefeitura durante a primeira reunião de entrarem no cronograma da UFTM, de fazer testagem em massa, vacinação da H1N1 e logo após, depois do período de 15 dias, fazer a vacinação da Covid-19. Aí incluiria os cônjuges para vacinar também. Eles que passaram para nós essa proposta. Nós aceitamos essa questão porque o pessoal achou interessante vacinar também os cônjuges. Por isso que nós aceitamos o posicionamento. Só que no ofício que encaminharam pra nós não garantia a vacina da Covid-19, por isso que nós voltamos esse movimento paredista”, finaliza Vieira. Atualmente, há cerca de 200 motoristas no transporte coletivo, que começaram a ser vacinados contra a H1N1/Influenza esta semana.

Segundo o presidente do Sintracol, cerca de 20 motoristas aderiram à paralisação e concentraram em manifestação na porta do Centro Administrativo da Prefeitura de Uberaba nesta manhã (Foto/Jairo Chagas)
Citada pelo presidente do Sintracol, a vacinação de motoristas do transporte coletivo acontece em Juiz de Fora, mesmo com os entraves jurídicos apontados pela Prefeitura de Uberaba. Na ação protocolada na Justiça ontem, o Executivo pontuou que, em que pese a sensibilização com o pedido dos motoristas, a ordem de vacinação segue protocolo dos governos estadual e federal. O argumento foi acatado pelo juiz Lucas Camargo. No deferimento da liminar, o magistrado manifestou que é legítimo o interesse da categoria quanto à vacinação dos trabalhadores contra a Covid-19, mas argumenta que existem restrições legais e comerciais que não permitem ao empregador ou ao município atender ao pleito no curto espaço de tempo.
À Rádio JM nesta manhã, a procuradora-geral do Município, Fabiana Pinheiro, lembrou que a prefeita Elisa está em contato com as esferas estadual e federal na tentativa de incluir os motoristas do transporte coletivo na prioridade da vacinação, bem como garantir doses específicas para a categoria. De acordo com a procuradora, o caso de Juiz de Fora se assemelha ao trabalho feito pela prefeita Elisa e certamente abrirá brechas para outras categorias conseguirem decisões semelhantes, não só os motoristas. “A justificativa é a mesma. O que nos preocupa um pouco é que tem outras categorias de profissionais que também estão expostas e infelizmente a gente não consegue atender à demanda. O município tem interesse em disponibilizar a vacina irrestritamente para todos, mas não conseguimos. Casos pontuais estão sendo tratados pelo governo”, disse Fabiana.
Questionada sobre a possibilidade de vacinar a categoria e depois justificar a imunização, a procuradora reitera a necessidade de autorização para que a prioridade seja estabelecida e cita problemas operacionais de outras cidades, que usaram doses que deveriam ser guardadas para a segunda aplicação e depois ficaram em falta para o reforço da população, e também os famigerados casos de fura-filas. “Entendo que, embora sejam recomendações, é prudente que sejam seguidas. Vários municípios estão tendo problemas porque não seguiram as recomendações de guardar a segunda dose. Estamos tentando trabalhar da forma mais correta”, pontuou a procuradora.