Ex-vereador Marcelo Machado Borges (Borjão) classificou a iniciativa de revogar sua proposta um ato de covardia da Câmara
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Ex-vereador Marcelo Machado Borges (Borjão) classificou a iniciativa de revogar sua proposta um ato de covardia da Câmara
A mudança na Legislação que trata do Calendário Popular do Município, em tramitação na Câmara Municipal de Uberaba (CMU) por meio do Projeto de Lei (PL) 148/17, já causou polêmica. Antes mesmo da apreciação da proposta, foi aprovado um PL que estabelecia o dia 24 de abril como o “Dia do Reconhecimento e Lembrança às Vítimas do Genocídio do Povo Armênio” (Lei Municipal 12.311/2015).
Após passar pelo crivo dos parlamentares, a Mesa Diretora apresentou um novo projeto para revogar a atual legislação que trata do calendário popular do município. Algumas datas atuais devem ser mantidas e outras, retiradas.
Autor do projeto que revogou o “Dia do Reconhecimento e Lembrança às Vítimas do Genocídio do Povo Armênio” no calendário de Uberaba, o presidente da CMU, Luiz Dutra (PMDB), justificou que o genocídio pode se caracterizar como uma deliberada e sistemática destruição de um grupo racial, político ou cultural. “O Poder Legislativo não pode fazer menção ou tomar partido de determinado segmento, sendo um poder constituído que dá acesso a todos os tipos de grupos sociais”, disse à época da votação que revogou a Lei Municipal 12.311/2015.
O genocídio ou massacre dos armênios, como é chamada a matança e deportação forçada de milhares de pessoas de origem armênia, se deu com a intenção de exterminar sua presença cultural, sua vida econômica e seu ambiente familiar durante o governo dos chamados "Jovens Turcos", em 1915, que se irritaram com o fato de as grandes potências da época estarem dando atenção à questão armênia e pressionarem por reformas. Em 24 de abril de 2015 foi lembrado o centenário do genocídio armênio em todo o mundo. Na oportunidade, o papa Francisco reconheceu oficialmente o genocídio e em sua mensagem disse: “Ocultar ou negar o mal é como permitir que uma ferida siga sangrando sem enfaixá-la”.
Autor do projeto que originou a Lei 12.311/15, o ex-vereador Marcelo Borjão tratou como covardia a revogação da legislação. De acordo com ele, trata-se da ação de alguém que nunca apresentou bons projetos em sua carreira política. “Esperaram que eu deixasse a Câmara para aprovar, nas minhas costas, esse projeto. Quando apresentei a proposta do Dia do Genocídio do Povo Armênio, foi para atender ao pedido de uma família tradicional de Uberaba, a família Barsan, responsável por grandes empreendimentos na cidade. E hoje, no município, são mais de 100 pessoas de origem ou com familiares armênios”, lamentou Borjão.