Depois de quase 50 horas após ter sua prisão decretada, Luiz Inácio Lula da Silva se rendeu à Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. O ex-presidente começou, então, a cumprir a pena de 12 anos e um mês, em regime fechado, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso tríplex do Guarujá (SP).
O juiz federal Sérgio Moro expediu o mandado às 17h50 da quinta-feira (5) e a Polícia Federal seguiu para buscar o petista no Sindicato dos Bancários do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), onde permanecia desde que sua prisão fora decretada. O petista deixou o prédio às 18h46 e se dirigiu para uma gráfica, onde entrou em uma viatura preta descaracterizada.
Homens do Comando de Operações Táticas (COT), que é o batalhão de elite da PF – acionado em situações excepcionais-, aguardavam para seguir em comboio, em um forte esquema de segurança, digno de um chefe de Estado. Às 20h46 Lula partiu em um avião do aeroporto de Congonhas, com destino a Curitiba, berço da Lava-Jato, onde uma sala reservada na Superintendência da PF para seu encarceramento o esperava. Lula carregou a própria mala onde levou as roupas que usará como detento e embarcou em uma aeronave de pequeno porte.
A emblemática prisão – uma das 227 decretada por Moro nos quatro anos de Lava-Jato – foi o ponto final do processo do tríplex. Nele, Lula foi condenado por ter recebido R$3,2 milhões em propinas da OAS em reformas e equipamentos no imóvel, suposta propriedade do petista, oculta em nome da empresa.
Sérgio Moro havia dado o prazo de 24 horas para o petista se entregar de forma voluntária em Curitiba. Vencido o prazo, já que o ex-presidente não se entregou, a PF possuía em mãos a ordem para cumprir o decreto no momento em que entendesse ser oportuno, mas não o fez.
Segundo o Estado de Minas, por meio do superintende da PF em São Paulo, Disney Rossetti, os emissários de Lula - o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o deputado Wadih Damous e o ex-deputado Sigmaringa Seixas – deram início às tratativas com o comando da polícia do Paraná para a rendição.
Próximo do tempo se esgotar, na sexta-feira, foi feito um contato e o que era para ser os acertos finais de operacionalização da chegada de Lula virou uma negociação por condições da rendição e a forma de tratamento dispensada a ele.
Aos 72 anos Lula segue em busca - ou buscava – de um terceiro mandato, além de encabeçar um movimento de fortes ataques à Lava-Jato e seus artífices, bem como é alvo, ainda, de outros processos e investigações.
Por isso, desde o princípio muito se falou nos dois pesos da medida para as decisões de Lula. De um lado a questão política, de outro, a jurídica. Lula não queria passar a imagem de que foi subjugado pelo juiz Sérgio Moro, preocupado com as repercussões eleitorais e históricas, mas foi alertado por advogados que "o jogo não acaba agora".
Ainda conforme a publicação do EM, do segundo andar da PF em Curitiba, o superintendente do Paraná, Maurício Valeixo, e o chefe da Lava-Jato, Igor Romário de Paula, discutiram os termos da rendição, seguindo tratativas até pelo menos as 21h da quinta. O dia terminou com a definição de que o condenado se entregaria, sob condições que terminariam de ser "ajustadas" na manhã de ontem.
Dentre as condições, o ex-presidente queria participar da missa de Marisa Letícia, que morreu em fevereiro de 2017; fazer o seu último discurso, transformado em comício – em que atacou Moro, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a imprensa.
Ademais, Lula fez exigências sobre a sua imagem. Não queria que a PF expusesse sua imagem no ato de rendição e na transferência, além de pedir carros descaracterizados para fazer sua escolta do sindicato até à Superintendência da PF, e que não houvesse policiais fortemente armados o conduzindo.
*Com informações do Estado de Minas
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