ELEIÇÕES 2026

Segundo turno: horário eleitoral volta sexta; veja apoios e disputa pelos votos dos derrotados

Flávio Bolsonaro e Lula terão tempo igual no rádio e na TV; mais de 9 milhões de votos dados aos quatro principais candidatos eliminados entram no radar das campanhas

Larissa Prata
Publicado em 05/10/2026 às 09:28Atualizado em 05/10/2026 às 09:29
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Encerrado o primeiro turno, a campanha presidencial entra agora em uma nova fase, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputando não apenas novos apoios políticos, mas principalmente os votos dos mais de 9 milhões de eleitores que escolheram os quatro principais candidatos derrotados neste domingo (4). O horário eleitoral gratuito do segundo turno começa na próxima sexta-feira (9) e segue até 23 de outubro, dois dias antes da votação. De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o segundo turno será realizado no domingo, dia 25.

Diferentemente do primeiro turno, quando o tempo de cada candidatura variava conforme a representação partidária, Lula e Flávio terão espaço igual. Para presidente, serão dois blocos diários de dez minutos no rádio, às 7h e às 12h, e outros dois na televisão, às 13h e às 20h30, de segunda-feira a sábado. Cada candidato terá metade do tempo, além das inserções distribuídas ao longo da programação.

Flávio chegou ao segundo turno na primeira colocação, com 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,22 milhões de votos. Esse número ajuda a dimensionar o peso da disputa que começa agora. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), juntos, receberam 9.056.092 votos. Considerados todos os demais candidatos eliminados, foram mais de 9,3 milhões de votos fora das duas candidaturas que avançaram.

Os primeiros movimentos, contudo, mostram que os derrotados não entregarão necessariamente seus eleitorados junto com eventuais declarações de apoio. Terceiro colocado, Augusto Cury afirmou que não apoiará nem Lula nem Flávio. Renan Santos também descartou apoio aos dois candidatos e liberou integrantes do Missão para tomarem suas próprias decisões. Ronaldo Caiado ainda não declarou voto, enquanto o PSD anunciou neutralidade nacional e deu liberdade para diretórios e lideranças estaduais se posicionarem. Romeu Zema foi quem deu o sinal mais claro. O ex-governador de Minas afirmou que, onde houver PT no segundo turno, estará do lado contrário. Embora não tenha citado nominalmente Flávio Bolsonaro no pronunciamento feito após a apuração, o Novo prepara apoio formal ao candidato do PL.

O mapa dos governadores também começa a pesar. Dos 20 governadores definidos já no primeiro turno, dez apoiaram Flávio durante a primeira etapa da eleição, cinco estiveram com Lula, quatro permaneceram neutros e Daniel Vilela (MDB), eleito em Goiás, apoiou Caiado.

Entre os governadores alinhados a Flávio estão Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), Sergio Moro (PL-PR), Luciano Zucco (PL-RS), Jorginho Mello (PL-SC), Otaviano Pivetta (Republicanos-MT), Eduardo Riedel (PP-MS), Dr. Daniel (Podemos-PA), Marcos Rogério (PL-RO) e Arthur Henrique (PL-RR). Reeleito em São Paulo, Tarcísio foi além e anunciou após a vitória que atuará diretamente na campanha de Flávio no segundo turno.

Lula, por sua vez, teve no primeiro turno o apoio dos governadores eleitos Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE), Rafael Fonteles (PT-PI), Lucas Ribeiro (PP-PB) e Fábio Mitidieri (PSD-SE). Jerônimo já reafirmou, após a reeleição na Bahia, que trabalhará pela candidatura petista no segundo turno.

Os governadores Raquel Lyra (PSD-PE), Eduardo Braide (PSD-MA), Dr. Furlan (PSD-AP) e JHC (PSDB-AL), eleitos neste domingo, passaram o primeiro turno sem apoiar nenhum dos dois finalistas e tornam-se nomes cortejados nesta segunda etapa.

Para onde podem ir os votos dos derrotados?

Embora declarações de apoio tenham peso político, pesquisas feitas ainda durante o primeiro turno mostram que a transferência de votos está longe de ser automática. Um levantamento do Datafolha que reuniu entrevistas realizadas em setembro apontou, porém, uma inclinação maior dos eleitores das quatro principais candidaturas alternativas em direção a Flávio Bolsonaro.

Considerados conjuntamente os eleitores de Zema, Renan, Caiado e Cury, 43% afirmavam que escolheriam Flávio em um segundo turno contra Lula. Outros 30% migrariam para o petista e 26% votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois. A margem de erro específica desse grupo era de quatro pontos percentuais.

A tendência era mais acentuada entre os eleitores de Zema. Nesse grupo, 48% indicavam voto em Flávio e 25% em Lula, enquanto 27% pretendiam anular ou votar em branco. O perfil político ajuda a explicar a proximidade: Zema construiu sua candidatura na direita, com agenda econômica liberal e forte oposição ao PT, posição que voltou a explicitar depois das urnas. A margem de erro desse recorte, porém, era elevada, de 11 pontos.

Entre os eleitores de Renan Santos, Flávio aparecia com 43%, Lula com 22% e os votos brancos ou nulos chegavam a 34%. É justamente um dos grupos em que o comportamento merece mais cautela. Renan fez campanha atacando tanto o petismo quanto o bolsonarismo, o que deixa uma parcela expressiva de seu eleitorado sem identificação direta com nenhum dos finalistas.

No eleitorado de Caiado, Flávio tinha 43% e Lula, 30%. A vantagem era apenas numérica devido à margem de erro elevada desse segmento. Politicamente, Caiado ocupa espaço mais próximo da centro-direita e da direita, com discurso forte na segurança pública, no agronegócio e de oposição histórica ao PT. Por outro lado, passou boa parte da campanha tentando se apresentar como alternativa a Flávio, e o próprio PSD chega ao segundo turno dividido entre lideranças mais próximas de Lula e outras alinhadas ao candidato do PL.

O eleitor de Augusto Cury aparece como o terreno mais aberto. O Datafolha apontava 41% para Flávio e 35% para Lula, empate dentro da margem de erro específica de seis pontos, além de 23% que preferiam branco ou nulo. Cury fez uma campanha baseada justamente na crítica à polarização e recusou apoio aos dois finalistas após a votação.

Os números mostram que Flávio inicia o segundo turno com maior afinidade eleitoral entre parte dos votos que ficaram fora da disputa final, especialmente nos grupos de Zema e Caiado. Isso, contudo, não significa uma transferência automática dos mais de 9 milhões de votos. Uma parcela relevante desses eleitores já indicava intenção de votar em branco ou nulo, e outros podem mudar de posição ao longo das três semanas de campanha.

A disputa passa agora justamente por esse eleitor menos identificado com Lula e Flávio. Além dos apoios de governadores, partidos e lideranças nacionais, os dois candidatos terão, a partir de sexta-feira, tempo igual no rádio e na televisão para tentar convencer um eleitorado que, no primeiro turno, fez questão de procurar uma alternativa aos dois.

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