“Em defesa dos Hospitais Universitários. Nem autarquia, nem empresa, nem fundação.” Foi assim que sindicalistas manifestaram em silêncio ontem contra o projeto de lei referente à transformação dos HUs em fundação estatal. O grupo aproveitou a presença dos deputados e do ministro Fernando Haddad, na inauguração do Centro Educacional da UFTM, para o protesto.
De acordo com a coordenadora-geral do Sindicato dos Profissionais de Medicina da UFTM (Sind-Med), Mirtes Reis, além da faixa estampada em frente do palanque durante a cerimônia, foi entregue ao ministro uma carta de reivindicações. Entre as cobranças está também a realização de concursos públicos para completar o quadro dos HUs, principal problema no atendimento hoje.
Mirtes lembra que os sindicalistas organizaram marcha em Brasília na semana passada e conseguiram retirar da pauta da Câmara dos Deputados o projeto de lei que transforma os hospitais universitários em fundação estatal. A medida, para alguns, é encarada como uma privatização do atendimento.
Confrontados sobre o assunto, os políticos não quiseram polemizar. Durante entrevista, o ministro disse apenas que a mobilização é legitima e desconversou: “Se eles ficaram em silêncio, por que eu vou falar?”. O deputado Aelton Freitas adotou a mesma postura e declarou não ter visto a faixa e nem ter conhecimento do projeto no momento. “Vim para participar da solenidade e falar de coisas boas”, esquiva-se.
Já o peemedebista Paulo Piau também afirma não ter visto a faixa e salienta que o partido ainda não forneceu um estudo sobre o projeto defendido pelo Ministério da Saúde, comandado pelo peemedebista José Gomes Temporão. Ele pondera somente que a proposta não é a privatização como tem sido divulgado na mídia, mas a melhoria da gestão. “O público pode ser competente”, disse, preferindo não responder no momento se é contra ou a favor da proposta, pois desconhece o conteúdo do documento.