Após o primeiro surto, em fevereiro, o SAC da Codau passou por desinfecção (Foto/Arquivo)
Em carta aberta enviada à imprensa e também à presidência da Codau, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgoto de Uberaba (Sindae) se posicionou contra o que chama de descaso por parte da companhia para com os trabalhadores, uma vez que, segundo o sindicato, as medidas sanitárias de combate à Covid-19 não estão sendo cumpridas nos ambientes de trabalho. O sindicato traz sérias acusações à companhia, a quem acusa de imperar “cultura do medo”, que estaria trazendo sérios danos à saúde mental dos trabalhadores. Além disso, na avaliação do sindicato, o afastamento de leituristas, que tiveram diagnóstico positivo, acabou virando a população contra os servidores. Em nota enviada à imprensa, a Codau rechaça veementemente as acusações feitas pelo sindicato e reafirma compromisso com a saúde de seus trabalhadores.
De acordo com o Sindae, o primeiro surto de Covid-19 no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Codau ocorreu no dia 15 de fevereiro. No dia seguinte, o líder sindical Márcio Vaz e o tesoureiro, Carlos Antônio Pereira, estiveram no local para conversar com os trabalhadores e se manifestaram a favor do fechamento do setor para desinfecção. Contudo, a medida não foi aceita por diretor, que pediu aos trabalhadores para continuarem os trabalhos a fim de que a companhia pudesse honrar seus compromissos, inclusive com a folha de pagamentos.
A postura do diretor da Codau trouxe indignação e o Sindae posicionou aos trabalhadores que aqueles que optassem por não trabalhar seriam amparados pelo sindicato. Contudo, ainda de acordo com a carta aberta do sindicato, os trabalhadores seguiram as ordens do diretor “por medo de retaliações”. O sindicato acusa a Codau, ainda, de “pressionar” os trabalhadores e que “muitos são levados pela expectativa de cargos, que muitas vezes não se confirmam”.
Também de acordo com o Sindae, a Codau tem “uma cultura de medo” entre os servidores. “Nossos colegas evitam a todo custo contrariarem a cúpula, pois a história mostra que podem ser prejudicados”. O texto continua e acusa a companhia de “constantes assédios”, que “levam ao adoecimento psicológico de grande parcela da categoria”.
A carta aberta ainda expõe que os leituristas acometidos pela Covid-19 em fevereiro voltaram ao trabalho “muito rápido”. “Alguns se mostravam fracos, chegando até a cair na rua”, pontua o texto. Até que outro surto foi constatado em março, também no SAC, totalizando 19 contaminados, de acordo com o sindicato, além de um aguardando resultado do exame. No local há 35 trabalhadores. O Sindae ainda frisa que acionou a Vigilância Epidemiológica desde o primeiro surto, mas que nenhuma de suas tentativas de contato com o setor foi respondida.
Outra indignação da categoria apontada no texto é com relação à reação da população, que se voltou contra os leituristas após a decisão de retomar as contas de consumo pela média. “Neste segundo surto, a contaminação atingiu leituristas e ainda atendentes e chefias. O problema recaiu na população, diante de leituras feitas por média e impressa de maneira não habitual. A medida ainda causou estranheza e, muitos cidadãos se voltaram contra estes profissionais que apenas cumpriam, no caso, com bravura suas funções, já que muitos ainda estavam sem condições para trabalhar”, afirma trecho da carta.
Nesse sentido, o sindicato pede o apoio da população sobre a situação que vivem os servidores da Codau e “se conscientize e se solidarize com a catedoria”. “Estes servidores estão sendo vítimas de agressões verbais, nas ruas, por conta de algo que está fora de seu controle. Muitos estão ali obrigados, cumprindo ordens superiores, correndo riscos e passando por assédio no ambiente de trabalho”.
Por fim, o Sindae ainda afirma que “entre os contaminados estão servidores que fazem parte dos quadros antigos da Autarquia, com mais de trinta anos de serviço público, e, comprometidos com o bom andamento das atividades da Codau e, passando por sérios problemas, com suas famílias todas contaminadas. Há casos de doença agravada e um colega já entubado. Em outros casos, os medicamentos prescritos aos doentes pesam no orçamento e ainda geram impacto econômico no orçamento familiar destes servidores” e, além disso, acusa a Codau de colocar servidores contaminados com não-contaminados. “Pelo menos dois servidores removidos de seus setores foram contaminados - é fato”.
O sindicato promete levar as situações relatadas ao Ministério Público para apuração. A reportagem do Jornal da Manhã acionou a assessoria de imprensa da Codau para explicações sobre as denúncias apontadas pelo Sindae. Em nota enviada à imprensa, a companhia negou as acusações sofridas e reafirmou o compromisso com a saúde dos trabalhadores, informando que segue rigorosamente as regras biossanitárias. "A direção da Codau não esteve e não estará omissa na prevenção ao Coronavírus e não descansará enquanto forem necessárias mais e mais intervenções para garantir a segurança de seus servidores. Em momento algum o Sindae procurou a direção para discutir tais medidas ou sugerir novas, apesar da direção ter aberto diálogo em reunião com a diretoria do Sindae, há duas semanas, para discutir campanha salarial/benefícios para a categoria", diz trecho da nota.
Na semana passada, a negociação salarial não terminou como a categoria esperava. Isso porque a Codau seguiu a mesma política adotada pela Prefeitura de Uberaba e negou reajuste dos servidores. A negociação com o Sindae ocorreu na semana anterior e a companhia posicionou que além da falta de recursos não previstos no orçamento pela gestão passada, os reajustes do funcionalismo estão proibidos por lei federal, devido à pandemia, até 31 de dezembro deste ano. Mas a negativa da majoração salarial abriu caminho para a apreciação de outras reivindicações inseridas na pauta. Entre elas a revisão do plano de carreira, melhoria nas condições de trabalho com o fornecimento de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para todos os servidores operacionais, bem como adicional de insalubridade.
“Não escondemos nada da sociedade, não minimizamos nenhuma situação que esta pandemia provocou nos serviços prestados pelo SAC, já que informamos sobre o seu fechamento, e que a leitura seria feita por média, até que a saúde do nosso pessoal de rua fosse restabelecida e permitisse a volta dos serviços de leitura real do consumo. O que já aconteceu na última sexta-feira (26). É irreal e delirante a afirmação de que a direção faria retaliações para quem não trabalhasse, ou que foi afirmado que a infecção de seu pessoal aconteceria. Todas as iniciativas até agora demonstram exatamente contrário do afirmado. A prática de opressão não é verdadeira e nunca será adotada por esta direção. Infelizmente o Sindicato optou por politizar a pandemia e este não é um caminho que será seguido pela direção da companhia. É de se estranhar muito esta denúncia, já que em ofício para a presidência (anexo), datado de 19.02.21, o Sindicato reconheceu e nos parabenizou pelas ações desenvolvidas no SAC. Enfim, queremos o bem estar, a saúde e a integridade de todos e essas são as metas nesta luta diária contra o Coronavírus aqui na Codau,” afirmou o presidente da Companhia, José Waldir de Sousa Filho. Confira a nota enviada pela Codau, na íntegra:
POSICIONAMENTO DA DIREÇÃO DA CODAU SOBRE CARTA ABERTA DO SINDAE
A direção da Codau volta a posicionar para a sociedade que manterá todas as suas atividades em operação para atender os requisitos da Constituição Federal, que classifica suas atividades como essenciais e indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
Com o avanço da pandemia do Coronavírus em Uberaba e para a manutenção dessas atividades, a proteção de seus servidores sempre foi tratada como prioridade, conforme a situação sanitária exige. Essas ações foram direcionadas para o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), para a sede administrativa e suas unidades operacionais.
Sobre o SAC especificamente, conforme acusa o Sindae, várias foram às medidas tomadas:
Fechamento da unidade para atendimento externo ao público;
Adoção do teletrabalho, com envio inclusive de computadores para a casa dos servidores (mesma medida adotada para a sede administrativa da Companhia);
Para os leituristas que comparecem à unidade, alternância de horário tanto de entrada e saída, quanto no intervalo das refeições para diminuir o contato entre as equipes;
Aumento em 100% de veículos mobilizados para o transporte deste pessoal, ampliação de cada viagem para os bairros para o transporte com número reduzidíssimo de leituristas;
Tapetes sanitizantes para acessar o SAC e álcool 70% nos ambientes de trabalho; ampliação dos espaços de trabalho com tendas externas visando o aumento do distanciamento e reforço à prevenção;
Limpeza rotineira com desinfecção de mesas, cadeiras e outros objetos, bem como nos veículos usando solução oxidante produzida na Estação de Tratamento de Água da autarquia, seguindo recomendação da OMS, para descontaminação dos ambientes;
Recepção de duas vistorias da Vigilância Sanitária nas dependências do SAC, para averiguação do desempenho das ações, não sendo encontrada nenhuma desconformidade em relação às medidas adotadas. Apenas na última vistoria foi emitida a recomendação para inserção de máscaras cirúrgicas descartáveis, o que foi entregue de imediato;
Disponibilização imediata de teste RT-PCR para qualquer sintoma suspeito. Além de contratação emergencial de mais um serviço laboratorial para realização de testes sorológicos para todo o quadro de servidores da Codau.
Foram soluções planejadas e executas pela diretoria da Codau com o máximo de seriedade que o momento exige. Todas e quaisquer outras medidas necessárias para preservar as vidas dos servidores serão tomadas. No momento há 10 servidores afastados em tratamento.
A direção da Codau não esteve e não estará omissa na prevenção ao Coronavírus e não descansará enquanto forem necessárias mais e mais intervenções para garantir a segurança de seus servidores. Em momento algum o Sindae procurou a direção para discutir tais medidas ou sugerir novas, apesar da direção ter aberto diálogo em reunião com a diretoria do Sindae, há duas semanas, para discutir campanha salarial/benefícios para a categoria.
“Não escondemos nada da sociedade, não minimizamos nenhuma situação que esta pandemia provocou nos serviços prestados pelo SAC, já que informamos sobre o seu fechamento, e que a leitura seria feita por média, até que a saúde do nosso pessoal de rua fosse restabelecida e permitisse a volta dos serviços de leitura real do consumo. O que já aconteceu na última sexta-feira (26). É irreal e delirante a afirmação de que a direção faria retaliações para quem não trabalhasse, ou que foi afirmado que a infecção de seu pessoal aconteceria. Todas as iniciativas até agora demonstram exatamente contrário do afirmado. A prática de opressão não é verdadeira e nunca será adotada por esta direção. Infelizmente o Sindicato optou por politizar a pandemia e este não é um caminho que será seguido pela direção da companhia. É de se estranhar muito esta denúncia, já que em ofício para a presidência (anexo), datado de 19.02.21, o Sindicato reconheceu e nos parabenizou pelas ações desenvolvidas no SAC. Enfim, queremos o bem estar, a saúde e a integridade de todos e essas são as metas nesta luta diária contra o Coronavírus aqui na Codau,” afirmou o presidente da Companhia, José Waldir de Sousa Filho.