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Ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça, concedeu liberdade ao empresário Joesley Batista nesta tarde (12). O benefício foi estendido a outros delatores, alvos de prisão, como Ricardo Saud, Demilton Antonio de Castro e Florisvaldo Caetano de Oliveira, funcionários da holding J&F; o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade, também deve ser solto nas próximas horas. Delator da Lava-Jato, Joesley foi alvo de prisão temporária decretada na sexta-feira (9) no âmbito da Operação Capitu, da Polícia Federal. Ele é suspeito de omitir informações em sua delação premiada.
Ministro Nefi Cordeiro argumenta que os fatos sob investigação são antigos e a omissão não é motivo suficiente para a prisão, apesar de ser argumento para a suspensão do acordo de delação.
O advogado do empresário, André Callegari, pediu a extensão do habeas corpus concedido inicialmente a Rodrigo Figueiredo, ex-secretário de Defesa Agropecuária e o ministro do STJ entendeu que a situação era semelhante, aplicando a mesma decisão para o empresário e demais delatores. Nefi Cordeiro também mandou soltar o ex-ministro Neri Geller (PP-MT), eleito deputado federal neste ano.
Segundo a Polícia Federal, a prisão de executivos que já fecharam acordo de delação e confessaram os crimes, como Joesley, Saud e outros, foi necessária porque houve tentativas de obstrução de Justiça.
Capitu. Joesley Batista, Ricardo Saud, Antonio Andrade e mais 11 pessoas foram presas na Operação Capitu, deflagrada pela Polícia Federal para apurar esquema de corrupção o Ministério da Agricultura. A operação é desdobramento da Lava-Jato em Minas Gerais e se originou da delação do doleiro Lucio Funaro. As investigações apontam que a JBS pagou propina para deputados e dirigentes do ministério para beneficiar a federalização das inspeções de frigoríficos, a regulamentação de exportação de miúdos e a proibição de uso de um veneno. Segundo a PF, era o então deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso em Curitiba, o responsável pela negociação das propinas, que eram entregues a Funaro. De acordo com a delação do doleiro, o grupo empresarial teria pago R$ 30 milhões pelo pacote de medidas do governo que o beneficiariam.
*Com informações dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo