Almir Silva foi preso em casa, mas a Polícia Civil realiza outras diligências no gabinete do vereador de forma simultânea
Polícia Civil cumpre diligências na Câmara Municipal de Uberaba, além da prisão do vereador Almir Silva, no âmbito da Operação Caça-Fantasmas (Foto/Radialista Hélio Jr)
O vereador Almir Silva (Republicanos) foi preso pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (1º), em Uberaba, durante a segunda fase da Operação Caça-Fantasmas. O parlamentar está sob custódia e, segundo apuração do Jornal da Manhã, é o único alvo de ordem de prisão nesta etapa da operação.
A ação mobiliza cerca de 55 policiais civis e prevê 15 diligências de busca e apreensão, além de sete medidas de afastamento de funções. Conforme as informações obtidas pelo JM, os alvos desta fase estão ligados exclusivamente ao vereador Almir Silva. Equipes da Polícia Civil também cumprem medidas na sede da Câmara Municipal de Uberaba, na Praça Rui Barbosa.
Até o momento, ainda não foi informado oficialmente se a prisão do parlamentar é temporária ou preventiva, nem quais fatos específicos fundamentaram a nova ordem judicial. Também não foram divulgados os nomes das pessoas alcançadas pelos sete afastamentos ou as funções exercidas por elas.
A reportagem do Jornal da Manhã acionou a Polícia Civil para esclarecimentos. Contudo, em razão do período de defeso eleitoral, ainda não obteve retorno. O JM também busca contato com a defesa do vereador Almir Silva.
A prisão representa um novo capítulo de uma investigação que chegou à Câmara Municipal em julho de 2025. Na primeira deflagração da Caça-Fantasmas, a Polícia Civil cumpriu buscas em oito endereços residenciais, entre eles a casa de Almir Silva. Na ocasião, ninguém foi preso. A investigação apurava suspeitas de crimes contra a Administração Pública e o sistema econômico-financeiro e surgiu como desdobramento de elementos encontrados na Operação Glifosato.
Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil anunciou a conclusão de um dos inquéritos da Caça-Fantasmas, com o indiciamento de 18 pessoas, entre vereador, empresários, servidores públicos e outros investigados. Naquele procedimento, a corporação apontou prejuízo superior a R$ 1,16 milhão e indiciamentos por crimes como tráfico de influência, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.
Já em maio, o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu denúncia contra Almir e outras quatro pessoas em um dos núcleos derivados da investigação. Segundo o MPMG, o grupo teria participado de um esquema de nomeação e manutenção de assessores parlamentares que recebiam salários e benefícios sem efetivamente prestar os serviços correspondentes. A denúncia atribui aos envolvidos, conforme cada caso, os crimes de peculato, desvio e associação criminosa e calcula prejuízo superior a R$ 636 mil somente nesse núcleo.
De acordo com o Ministério Público, três integrantes de uma mesma família teriam ocupado cargos no gabinete entre 2017 e 2025 sem a correspondente prestação dos serviços. O órgão sustentou que o esquema teria provocado mais de uma centena de desvios mensais e afirmou, ainda em junho, que uma nova fase da investigação deveria apurar a possível existência de outros oito supostos servidores fantasmas ligados ao mesmo gabinete, além de eventuais crimes de lavagem de dinheiro.
Na denúncia, o Ministério Público chegou a pedir o afastamento cautelar de Almir do mandato. A Justiça recebeu a acusação, mas negou naquele momento o afastamento por considerar, entre outros pontos, que os fatos apresentados eram anteriores e que não havia demonstração de risco atual que justificasse a medida.