POLÍTICA

Vereador mais jovem de BH recebe cidadania uberabense em agosto

Ao Jornal da Manhã, Doorgal Andrada fala sobre sua ligação com Uberaba e analisa o quadro político atual no país

Publicado em 08/07/2018 às 10:13Atualizado em 17/12/2022 às 11:17
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Eleito o vereador mais jovem da história de Belo Horizonte, Doorgal Gustavo Sad Lafayette de Andrada receberá em agosto o título de Cidadão Uberabense, outorgado pela Câmara Municipal. Natural de Barbacena, ele pertence a família com tradição na política, no ensino e nas letras jurídicas. Seu pai, Doorgal Borges de Andrada, exerceu a magistratura em Uberaba e hoje é desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Seu avô, Bonifácio de Andrada, político de projeção nacional. Apesar da pouca idade, Doorgal Andrada é graduado em Direito, trabalhou como conciliador voluntário no Juizado Especial da capital, é oficial da reserva formado pelo Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército, de Belo Horizonte (CPOR), atleta, membro da ONG Ombro Amigo e agora vereador em BH. Em seu primeiro mandato no Legislativo, ele tem se destacado por sua atuação firme e vigorosa defesa de projetos nas áreas de mobilidade urbana, esporte, educação e saúde. Em entrevista ao Jornal da Manhã, Doorgal Andrada fala sobre sua ligação com Uberaba e analisa o quadro político atual no país.

Jornal da Manhã - Sua família tem tradição no Direito e na Educação, bem como se projetado na seara política. O senhor é bacharel em Direito, mas optou pela vida pública. O que pesou na sua decisão?

Doorgal Andrada - Desde pequeno eu me interesso pela política e pela vida pública. Hoje, a imagem dos políticos está muito desgastada pelos escândalos e pela decepção das pessoas, mas a verdade é que se trata de uma atividade nobre e fundamental para a organização da sociedade. Se bem exercida, tem uma capacidade extraordinária de promover transformações na vida de todos. Eu sempre quis fazer algo importante para os outros, e o mandato eletivo me permite esse protagonismo. Se em algum momento eu sentir que não posso contribuir mais ou que não me encaixo no que as pessoas desejam, não tenho problema algum em não concorrer e trabalhar em outra área.

JM - Como vê a participação dos jovens na política, considerando que o senhor é o vereador mais jovem de BH, com a maior votação no PSD nas eleições municipais na capital?

DA - Do ponto de vista eleitoral, caiu a presença dos jovens de 18 a 29 anos entre os eleitos nos dois últimos pleitos. Por outro lado, vejo a juventude se mobilizando para participar mais ativamente da política, seja disputando mandatos ou em organizações da sociedade civil. Essa presença deveria ser bem maior. Se os jovens querem ser ouvidos e desejam transformações na sociedade, eles devem se articular para isso. Ficar esperando não resolve nada.

JM - Recentemente, em eleições no Estado do Tocantins, o número de abstenções, nulos e brancos chegou a quase 50%. Acredita que nas eleições de outubro esse fenômeno poderá se repetir pelo país afora? E, ainda, acha possível motivar o eleitor, principalmente o mais jovem, a comparecer às urnas em outubro, sem desperdiçar o voto, diante desse quadro de desesperança?

DA - Sim. O percentual de abstenções tem crescido nas últimas eleições e as pesquisas indicam que deve aumentar neste ano, bem como os votos brancos e os nulos. Isto se deve, como eu disse antes, ao descrédito da política e à decepção de todos com os sucessivos escândalos, com a impunidade e, claro, pela incapacidade dos atuais ocupantes de cargos públicos de dar a resposta que a sociedade espera. O clima é de revolta e desesperança, e o eleitor tende a acreditar que não vale a pena dar seu voto. As campanhas terão que não apenas apresentar um candidato e suas ideias, mas também estimular a presença nas urnas. Eu defendo que as pessoas, em vez de negar seu voto, procurem conhecer melhor os candidatos e suas propostas, deem espaço para o novo – independentemente da idade – e ajudem a eleger os melhores. E se querem mesmo a mudança, que acompanhem e fiscalizem os eleitos no exercício de seus mandatos.

JM - As redes sociais viraram poderoso meio de comunicação, assim como divulgação de candidaturas. No entanto, muitos pré-candidatos têm manifestado preocupação com o mau uso, como aconteceu nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, por exemplo. Acredita que a Justiça Eleitoral brasileira terá mecanismos para evitar e/ou punir as fake news?

DA - Acredito que alguns casos mais graves e evidentes podem até ser detectados e punidos, mas não acredito que se vá coibir de fato essa prática. O volume de publicações, a velocidade de propagação nas redes sociais e a própria dinâmica da campanha dificultam o combate às fake news. O que eu recomendo é que as pessoas usem o senso crítico e pesquisem um pouco antes de sair compartilhando qualquer coisa escandalosa ou impactante que aparecer nas redes.

JM - Governo de Minas tem atrasado sistematicamente o pagamento de salários aos servidores e fornecedores nos últimos meses. Acredita que o Estado está irremediavelmente falido ou apenas falta planejamento financeiro ao governo mineiro? Vê alguma solução a curto prazo para o restabelecimento da pontualidade dos pagamentos pelo Estado? Alguma eventual solução virá das urnas em outubro ou o tema é mais complexo?

DA - Tem um pouco de tudo isso nessa questão. É inegável que os governos, não só o de Minas, vivem uma crise financeira que, por sua vez, deriva de uma retração da economia. E a crise política e institucional piora esse quadro, pois atinge a confiança do empresariado, e este reduz investimentos, o que impacta negativamente na arrecadação. Por outro lado, faltam ao governo mineiro o planejamento e a tomada de ações efetivas para estimular a economia. Não adianta querer arrecadar mais simplesmente aumentando a tributação, pois a sociedade não consegue arcar com mais impostos. Além disso, sufoca a atividade produtiva. Outro ponto é que nada é feito para enxugar os gastos com a máquina pública. Acredito, sim, que as eleições de outubro podem trazer novas propostas e novos compromissos, que recoloquem o país no rumo do crescimento econômico e do desenvolvimento social.

JM - Estamos em época de Copa do Mundo e o senhor também é atleta. Como vê a política (ou a falta dela) para o esporte no nosso país? Como seria possível incentivar a prática de esporte, principalmente por jovens?

DA - Não existe uma política pública consistente de incentivo ao esporte no país. O que se vê é um ou outro programa mais localizado, com poucas verbas e sem horizonte de continuidade, ou ainda alguns projetos focados exclusivamente no atleta de alto rendimento. O esporte é importante na formação humana. O benefício mais evidente é para a saúde, mas a prática esportiva ensina também sobre dedicação, superação, esforço, perseverança e metas. E é também muito divertido. Para que isso esteja à disposição da sociedade, vejo dois caminhos básicos: difundir o esporte nas escolas, com equipamentos adequados e competições, como os jogos escolares, e ampliar as áreas para lazer e prática esportiva nas cidades. Não estou falando de grandes complexos e obras caras, mas de estruturas simples e eficientes. Em BH, desenvolvo um projeto chamado Academia Móvel, que oferece aulas de ginástica em espaços públicos, abertas à população. É um exemplo interessante.

JM - Há algumas décadas era permitido o trabalho aos brasileiros a partir de 14 anos, o que hoje se tornou proibido por lei. Muitos brasileiros atribuem à ociosidade das crianças e adolescentes o altíssimo índice de menores envolvidos com tráfico de drogas e outros crimes. O senhor defende a revisão das leis?

DA - Na verdade, não há uma proibição absoluta, mas restrições ao trabalho de menores. Existe a figura do menor aprendiz (14 aos 16 anos) prevista na CLT, por exemplo. E temos que entender o contexto dessas restrições. Elas vieram, principalmente, para coibir a exploração de crianças e adolescentes e para garantir que eles tivessem acesso e condições de frequentar a escola. Considero que a prioridade para o estudo não deve ser desprezada. O que pode ser feito é uma flexibilização nessas restrições. Na minha opinião, o envolvimento das crianças com o crime tem mais ligações com a degradação das famílias, exposição a ambientes violentos e falta de perspectivas econômicas e profissionais.

JM - Como vereador em Belo Horizonte, o senhor fez defesa vigorosa do uso de aplicativos para transportes alternativos, como o Uber, por exemplo. Quais foram as suas motivações para levantar essa bandeira?

DA - Os aplicativos de transporte são uma realidade e caíram no gosto dos cidadãos. O que defendi foi o direito à livre iniciativa e à livre escolha, mas sou favorável à regulamentação desses aplicativos, pois trata-se de uma atividade com impacto nada desprezível no trânsito e no meio ambiente, por exemplo. A regulamentação está em curso em Belo Horizonte e, na Câmara, fiz questão de realizar uma audiência pública para ouvir todos os lados: taxistas, usuários, motoristas de aplicativos e as empresas. O que pretendo é uma regra justa, que não inviabilize a atividade e nem, do outro lado, represente uma concorrência predatória para os taxistas.

JM - Para finalizar, qual a sua relação com Uberaba?

DA - Morei em Uberaba dos quatro aos 10 anos e tenho um carinho enorme pela cidade, portanto, minha infância se deu na cidade. Meu pai era juiz, nós fomos direcionados para Uberaba, a 3ª Comarca onde ele trabalhou no Judiciário. Tenho ótimas lembranças do Colégio Marista, dos professores e de dezenas de colegas de turma. Uma coisa que sempre admirei no povo do Triângulo é o espírito empreendedor, essa capacidade de se dedicar para transformar pequenos projetos em grandes sucessos. Esse traço sempre me inspirou e tenho certeza que boa parte da minha inquietação e do meu desejo de trabalhar por grandes transformações veio do que aprendi aqui. Sempre que posso visito e frequento essa bela cidade, que faz parte da minha história e formação.

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