Denise Max afirma que município não tem espaço para receber cães e gatos em situações emergenciais e defende criação do CATA
Segundo a parlamentar, atualmente não há espaços disponíveis para abrigar cães e gatos, especialmente em casos críticos (Foto/Divulgação)
A precariedade da estrutura voltada ao acolhimento de animais em Uberaba voltou ao centro do debate público. A vereadora Denise Max (Patri) afirma que o cenário é grave e urgente, sobretudo pela falta de espaços preparados para receber animais em situações emergenciais no município.
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Segundo a parlamentar, atualmente não há espaços disponíveis para abrigar cães e gatos, especialmente em casos críticos, como quando o tutor falece ou quando animais apresentam comportamento agressivo. “Não tem onde colocar o animal em Uberaba quando precisa, principalmente em casos de óbito de pessoas que moram sozinhas. É uma situação gravíssima”, afirma.
Denise também chamou atenção para a precariedade da estrutura existente. De acordo com ela, o cenário do abrigo municipal permanece sem melhorias há anos. “A situação continua a mesma desde 2022. Não tem mais como, a estrutura já era precária e piorou”, disse.
A vereadora relatou ainda episódios recentes que evidenciam a falta de suporte. Em um dos casos, um animal agressivo precisou ser recolhido após atacar moradores. “A gente mesmo recolheu um animal que estava mordendo as pessoas. Nem o Corpo de Bombeiros tem para onde encaminhar nessas situações”, destaca.
Outro ponto levantado é o aumento de animais em situação de abandono. Para Denise, o problema é antigo e vem sendo negligenciado ao longo dos anos. “Uberaba é uma cidade com quase 400 mil habitantes e não tem estrutura adequada. Isso não é de agora, já vem de muito tempo”, critica.
A parlamentar também mencionou um caso recente envolvendo a morte de uma moradora que mantinha vários animais, o que gerou impasse sobre o destino deles após decisão judicial. “Querem retirar os animais, mas colocar onde? Não existe esse local hoje”, questiona.
Como alternativa, Denise anunciou a intenção de destinar emenda parlamentar para viabilizar o Centro de Acolhimento Transitório de Animais (CATA). No entanto, o projeto ainda depende da elaboração de estudos técnicos por parte do município.
De acordo com a vereadora, o levantamento deve incluir projeto arquitetônico e memorial descritivo, fundamentais para definir custos e estrutura. “Já estou formalizando a solicitação para que esse estudo seja elaborado com urgência”, ressalta.
A proposta prevê um espaço com capacidade entre 150 e 300 animais, com foco no bem-estar e na adoção responsável. A ideia é que o local funcione de forma transitória, com recuperação e encaminhamento dos animais. “A lógica é de rotatividade: o animal entra, é cuidado e preparado, e deve sair por meio da adoção”, explica.
O projeto também pode incluir áreas específicas para animais agressivos, espaços de convivência e até um centro de castração, além de parcerias com organizações não governamentais. Apesar da articulação para captação de recursos, incluindo sinalização positiva de apoio por parte do deputado federal Fred Costa, o avanço da proposta depende da conclusão do estudo de viabilidade.