Votação do veto era necessária para destravar a pauta do Legislativo e debate sobre o assunto foi limitado a dois vereadores a favor e dois contrários ao projeto
Vereador Caio Godoi defendeu a derrubada do veto, mas foi derrotado por 12 a 9, sob o argumento de que um decreto sobre o assunto havia sido editado (Foto/Rodrigo Garcia)
A quarta sessão ordinária da Câmara Municipal de Uberaba (CMU), em um primeiro momento, deveria destravar a pauta em função do pedido de sobrestamento do veto total da prefeita Elisa Araújo (Solidariedade) ao projeto do vereador Caio Godoi (Solidariedade), que instituiria no município o Estatuto da Desburocratização.
Mas, antes da apreciação e votação, o que aconteceu foi uma lavagem de roupa suja no Plenário. Quanto ao veto, ele foi mantido por 12 votos a 9. E, agora, o processo de desburocratização será regulamentado via decreto, que foi publicado na tarde dessa segunda-feira, no Porta-Voz, órgão oficial do Município.
Na abertura do expediente, a primeira-secretária, Lu Fachinelli (União), pediu a dispensa da leitura da justificativa do veto, uma vez que havia sido apresentada em sessão anterior. Na sequência, o líder do Governo, vereador Fernando Mendes (MDB), solicitou encaminhamento de votação e dispensa da discussão. Segundo ele, os parlamentares já haviam discutido a proposição no último dia 8.
Os vereadores Celso Neto (PP) e China (PMN) e o autor do projeto da desburocratização, Caio Godoi, pediram que fosse aberta a discussão. Por fim, o presidente da CMU, Ismar Marão (PSD), concedeu espaço para que dois vereadores favoráveis ao veto e dois contrários pudessem defender seus pontos de vista, por três minutos cada um.
Falaram pela derrubada do veto Caio Godoi e o vereador Diego Fabiano (PP). O primeiro disse que a criação de uma lei municipal daria maior respaldo ao Estatuto da Desburocratização, ao invés de um decreto, que poderia ser revogado a qualquer momento. O pepista, no entanto, preferiu explicar o sentido da palavra “birra”, em alusão à motivação do veto por parte da prefeita.
Defenderam a manutenção do veto Lu Fachinelli e Almir Silva (União). A vereadora iniciou com a defesa de que a norma já estava em exercício na Administração Municipal, sem necessidade da lei. Depois, falou de sua decepção com a postura de Godoi nas redes sociais, a qual ela julga ser ofensiva com os demais vereadores.
Já Almir Silva adotou um tom conciliador. Pediu a manutenção do veto e falou que a Casa, por ser democrática, comporta divergências de opinião, mas sempre com respeito.
A Caio Godoi foi dado o direito de resposta. Ele argumentou que ainda é jovem, mas que não quer adquirir experiência e trabalhar com velhas práticas políticas. Lembrou que foi contra o reajuste salarial dos vereadores e que é um vereador que economiza nos gastos de gabinete.
Por fim, o presidente Ismar Marão destacou que usa todos os recursos que o Poder Público oferece, mas para trabalhar por Uberaba, e com isso conquistou importantes recursos para diversos setores do município. Segundo Marão, não basta apenas economizar no mandato e não dar retorno à população.