POLÍTICA

Votos de deputados ausentes vão ao Conselho de Ética da Alemg

O ofício, que foi protocolizado ontem, tem a assinatura dos parlamentares Adelmo Carneiro Leão e Rogério Correia, de Sávio Souza Cruz e sargento Rodrigues

Renata Gomide
Publicado em 03/12/2011 às 00:57Atualizado em 19/12/2022 às 21:10
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A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais está sendo oficialmente chamada a representar junto ao Conselho de Ética da Casa contra os deputados que “votaram” na sessão extraordinária de quarta (30), sem que estivessem no Plenário. O ofício, que foi protocolizado ontem, tem a assinatura dos parlamentares Adelmo Carneiro Leão e Rogério Correia, ambos do PT, de Sávio Souza Cruz (PMDB) e sargento Rodrigues (PDT). O peemedebista também requereu a gravação da reunião e informações sobre os votos computados, considerando cada ponto de votação, já que o parlamentar não tem assento fixo no Plenário.

“Este ato é inaceitável e fere todos os fundamentos do Estado democrático e a Assembleia tem o dever de apurar”, afirma Adelmo, para quem o caso é gravíssimo. Isto porque, para votar, cada deputado tem uma senha pessoal e intransferível, que ou foi violada ou oferecida a outro, diz o petista, acrescentando que em qualquer dos casos há o envolvimento de outros parlamentares, que não aqueles ausentes cujos votos foram computados: Antônio Lerin (PSB) e os petebistas Arlen Santiago e Juninho Barbosa – todos da base de sustentação do governador Anastasia (PSDB).

Para Rogério Correia, trata-se de uma fraude para beneficiar o governo tucano, mas que precisa ser devidamente apurada para que a ALMG dê exemplo de lisura. Adelmo acrescenta que não quer ditar a medida a ser tomada pela Casa, a qual entende deve ser exemplar, mas descarta a proposta já apresentada de trocar o painel de votação. “Posso dizer que não há falha, estou na Assembleia há quase 20 anos e nunca minha senha foi violada, então essa é uma possibilidade remota. Se fosse um caso, mas eram três os ausentes. É um ato que está sendo compartilhado de maneira muito significativa”, suspeita.

Adelmo foi quem primeiro identificou a situação, ao notar que Arlen Santiago havia votado, mesmo estando fora do Plenário – o deputado diz que deixou o local após este ato. A partir de então foi feita a conferência dos demais votos chegando aos outros dois. As votações foram anuladas e outras realizadas na sequência. Através de nota oficial, a ALMG diz rejeitar qualquer irregularidade que possa interferir no andamento dos trabalhos legislativos. E mais: estuda a utilização de novas tecnologias para o processo de votação, além da emissão de novas senhas para todos os parlamentares.

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