SAÚDE

É possível realizar o sonho de ter filhos após tratamento oncológico

Mastologista Renato Abrão explica que hoje em dia não dá mais para se pensar somente em curar o câncer, mas sim proporcionar ao paciente a possibilidade de realizar sonhos após a doença

Larissa Prata
lpciabotti@gmail.com
Publicado em 25/07/2020 às 11:45Atualizado em 18/12/2022 às 08:11
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Para o mastologista Renato Abrão, o discurso de “dinossauro” de procurar apenas a cura para o câncer do paciente não existe mais Sobreviver ao diagnóstico de um tumor é motivo de gratidão, força e superação. E como fica a vida depois que esse tsunami de mudanças pessoais acontece? Muitas pessoas acreditam que um diagnóstico de câncer, principalmente no sistema reprodutor, decreta o fim da fertilidade. No entanto, hoje em dia isso não é mais uma realidade.   O médico mastologista Renato Abrão explica que as pessoas têm recebido o diagnóstico de neoplasia maligna cada vez mais cedo. Diversos fatores levam a isso, como exposições frequentes a radiações, alta incidência de pessoas obesas, ingestão de alimentos com conservantes e agrotóxicos.   Na avaliação do mastologista, o tratamento vai além da cura, devendo o médico pensar também na manutenção da vida reprodutiva e na preservação estética. “Esses pacientes precisam viver pelo menos mais 40 anos, precisam casar, ter filhos, ver seus filhos crescerem, serem economicamente ativos e precisam manter um padrão estético muito semelhante ao que tinham antes da doença.”   No caso especial dos cânceres de mama e dos ginecológicos, é preciso redobrar a atenção. “A mama é um órgão ligado à sexualidade, à autoimagem, à amamentação e reprodução feminina. Hoje, pelo menos 30% das pacientes em tratamento de câncer de mama na minha clínica têm menos de 35 anos de idade, uma boa parte delas ainda não gestou e deseja gestar”, pondera Renato Abrão, enfatizando a necessidade de abordar o tema fertilidade e o resultado estético após o tratamento oncológico.   São vários os recursos para manter a fertilidade ao paciente oncológico. Entre as principais, o mastologista cita o congelamento de óvulos, congelamento de embriões, congelamento de tecido ovariano e supressão ovariana, sendo o congelamento de óvulos o mais utilizado. “Esses óvulos podem ficar armazenados por vários anos, o que nos dá segurança de aguardar o momento certo para liberar a paciente para poder viver a experiência de ser mãe”, explica. Vale lembrar que aos homens também é tão aplicável quanto comum o congelamento do sêmen.   “Hoje, mais do que nunca, tratamento oncológico tem que ser visto de uma forma ampla, não podemos esquecer que nossos pacientes não querem apenas a cura. A frase de ‘dinossauros da oncologia’ que diziam e dizem ainda aos pacientes – ‘Do que você está reclamando? Você teve um câncer’ – não se aplica à nova realidade. Precisamos entender que eles querem resgatar a vida, os sonhos e projetos que tinham antes de ter a doença, e fazer o que for possível para proporcionar cada uma dessas experiências, entre elas o direito de ser mãe/pai”, finaliza Renato Abrão.

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