Dadas as transformações inerentes a essa fase da vida, os adolescentes vêm despertando preocupação nos pais e em especialistas, que avaliam como se comportará a geração no pós-pandemia. O isolamento social e a falta de aulas afetam os jovens diretamente.
Ao lado dos profissionais de saúde, crianças e adolescentes estão entre os mais vulneráveis, sujeitos a crises de ansiedade, fobias, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, segundo Ana Christina Mageste, Membro da Federação Latino-americana de Psiquiatria da Infância e da Adolescência e da Associação Brasileira de Psiquiatria.
A psiquiatra, especialista no atendimento de crianças e adolescentes, Jaqueline Bifano chama a atenção para possíveis gatilhos para transtornos mentais no presente e no futuro. “Limiar muito baixo para irritabilidade, perda de interesse por coisas que gostava, choro fácil, alterações no apetite, além de sintomas físicos como taquicardia, tremor, dor de cabeça e tontura”, pontua a profissional, descrevendo sintomas que podem denotar depressão e ansiedade.
Ao lado de profissionais de saúde, crianças e adolescentes estão entre os mais afetados pelo isolamento social imposto pela pandemia, dizem especialistas
Um grupo de pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP lançou um site para monitorar a saúde mental de crianças e adolescentes brasileiros durante e passada a pandemia do novo coronavírus. O projeto – disponível no site – tem como objetivo avaliar os impactos do isolamento social em crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos, incluindo reações de estresse que podem levar a problemas mais graves.
Crianças e adolescentes cadastrados serão monitorados por 12 meses a partir das questões respondidas pelos pais. O preenchimento do questionário inicial dura cerca de 20 minutos e dos seguintes, cerca de 5. As crianças também serão convidadas a participar de um jogo virtual para avaliar a flexibilidade do pensamento delas durante a pandemia.
Após iniciar a participação e preencher os dados, o participante (pai ou mãe) receberá por e-mail informações sobre como está o comportamento do (a) filho (a) comparado aos padrões da população. Os dados individualizados serão disponibilizados apenas para os respectivos pais e, futuramente, integrarão uma pesquisa mais completa.
Novos questionários serão aplicados a quem se dispuser a participar da pesquisa a cada 15 dias, enquanto durar o confinamento, e, depois, mensalmente, até completar 1 ano.
*Com informações Hoje em Dia