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Esquecer a chave é normal? Neurologista explica quando acender alerta

Sinal de preocupação aparece quando a falha de memória começa a comprometer tarefas simples da rotina

Débora Meira
Publicado em 27/07/2026 às 16:41
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Esquecer onde deixou a chave do carro, o celular ou os óculos faz parte da rotina de muita gente. Em meio à correria do dia a dia, esses lapsos costumam ser normais e, na maioria das vezes, não indicam um problema de saúde. Mas, quando os esquecimentos começam a comprometer atividades simples da rotina, deve-se acender o sinal de alerta. Em entrevista ao JM News, a neurologista Camila Batalha explicou quais situações merecem atenção e quando é hora de procurar ajuda médica. 

Segundo a especialista, a principal diferença entre o esquecimento comum e aquele relacionado ao Alzheimer está no impacto que ele provoca na vida da pessoa. Enquanto lapsos ocasionais fazem parte da rotina, a doença começa a comprometer a capacidade de realizar tarefas antes consideradas simples. "O sinal de alerta é quando esse esquecimento começa a trazer um prejuízo funcional", afirma. 

De acordo com Camila, um dos primeiros sinais da doença é o comprometimento da memória recente, conhecida como memória episódica. Com isso, o paciente passa a ter dificuldade para registrar novas informações e tende a repetir perguntas ou conversas. "O paciente passa a ter dificuldade de guardar a memória atual. Por isso, ele se torna repetitivo e faz as mesmas perguntas várias vezes", explica. 

Ela destaca que esquecer onde deixou um objeto não costuma ser motivo de preocupação. O alerta surge quando a pessoa deixa de compreender a função daquele objeto ou perde a capacidade de executar atividades do cotidiano. "Esqueceu onde colocou a chave do carro, isso a gente ainda considera comum. Mas quando o paciente esquece para que serve aquela chave ou começa a perder a capacidade de executar atividades do dia a dia, isso passa a preocupar”, alerta. 

Além da perda de memória, o Alzheimer pode afetar outras funções cognitivas importantes, comprometendo a autonomia do paciente. "Não é só a memória. O paciente pode começar a apresentar dificuldade de linguagem, de planejamento e de executar tarefas. Isso começa a se tornar preocupante", ressalta. 

Entre os sinais que merecem avaliação médica estão a dificuldade para realizar tarefas simples, lidar com dinheiro, organizar atividades, esquecer palavras durante uma conversa, repetir frequentemente as mesmas perguntas e perder-se em locais conhecidos. 

A neurologista reforça que mudanças na rotina, excesso de trabalho, estresse e noites mal dormidas também podem provocar falhas de memória temporárias. "A questão da chave pode estar relacionada também à mudança da rotina. Você coloca sempre no mesmo lugar e, no dia em que coloca em outro, acaba esquecendo", explica.

Segundo ela, a privação de sono e a sobrecarga do dia a dia prejudicam diretamente o funcionamento da memória. "Excesso de trabalho e privação de sono são o combo perfeito para que, no outro dia, a nossa memória não funcione tão bem", destaca. 

A recomendação é buscar avaliação especializada sempre que os esquecimentos passarem a comprometer a independência da pessoa ou forem percebidos pelos familiares como uma mudança de comportamento. 

Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de controlar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida do paciente. "É diferente daquele esquecimento do dia a dia. O que nos preocupa é quando a pessoa perde a capacidade de realizar atividades que sempre fez normalmente", conclui a neurologista.

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