Crianças e adolescentes com lúpus eritematoso sistêmico pediátrico e esclerose múltipla ganharam uma nova opção de tratamento após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliar o uso do medicamento Ocrevus, cujo princípio ativo é o ocrelizumabe.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (20) e permite novas formas de utilização do medicamento em pacientes pediátricos.
Para casos de lúpus pediátrico, a ampliação contempla as versões em caneta aplicadora ou autoinjetora, com aplicação por via subcutânea — ou seja, abaixo da pele. O tratamento será complementar e indicado para pacientes com alto grau de atividade da doença que já utilizam terapias tradicionais.
Esses pacientes normalmente fazem uso de medicamentos como corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.
A nova apresentação pode trazer mais conforto aos pacientes, já que reduz a necessidade de deslocamentos frequentes até centros especializados para receber infusões intravenosas.
Uso contra esclerose múltipla também é ampliado
A Anvisa também autorizou o uso do Ocrevus para pacientes a partir de 12 anos com esclerose múltipla remitente-recorrente, desde que tenham peso igual ou superior a 40 quilos.
A doença é uma condição crônica que afeta o sistema nervoso central e pode causar sintomas como alterações motoras, sensitivas e cognitivas. Embora seja menos comum em crianças e adolescentes, os casos pediátricos costumam apresentar maior atividade inflamatória e maior frequência de surtos.
Segundo especialistas, o diagnóstico e o início precoce do tratamento são importantes para reduzir impactos no desenvolvimento escolar, social e na qualidade de vida dos pacientes.
Doenças exigem acompanhamento contínuo
O lúpus pediátrico é uma doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo. Em crianças, a condição pode apresentar maior intensidade inflamatória e risco aumentado de comprometimento de órgãos.
Já a esclerose múltipla é uma doença progressiva e potencialmente incapacitante. Entre crianças e adolescentes, representa cerca de 3% a 5% dos casos diagnosticados.
Com a ampliação aprovada pela Anvisa, pacientes jovens passam a contar com uma alternativa adicional de tratamento, com potencial para facilitar o acompanhamento e melhorar a rotina de famílias que convivem com essas doenças.