Estudo realizado pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual mostra que idosos têm 3,7 vezes mais risco de desnutrição que adultos
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Idoso é mais suscetível a alterações em decorrência das mudanças causadas pelo envelhecimento
Entre janeiro e agosto de 2011, foram coletados, por meio de fichas de triagem nutricional, dados de 950 pacientes, entre homens e mulheres, acima de 18 anos de idade, internados no Serviço de Cardiologia do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), administrado pelo Iamspe. O hospital coletou dados sobre peso e altura para aferir o Índice de Massa Corpórea (IMC), que foi classificado conforme os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS) para adultos até 59 anos e para idosos.
Os resultados apontaram que, na média, 46,3% dos casos analisados apresentaram risco de desnutrição, com base no IMC aferido, mas esse índice entre os pacientes idosos foi de 53%, enquanto entre os adultos analisados foi de 23%. Além disso, diversos fatores estão associados à desnutrição, tais como baixa ingestão alimentar, complicações relacionadas a doenças cardiovasculares, idade avançada e perda de peso involuntária.
A gerontóloga Elizabeth Carvalho dos Santos explica que o organismo envelhece reagindo ao estresse cotidiano, físico e emocional, adaptando-se às situações de ganhos e perdas que é o que definem se o envelhecimento será bem sucedido ou apresentará desequilíbrios, desenvolvendo doenças. “Há uma tendência intuitiva em não abusar de suas forças. Por exemplo, as alterações do aparelho digestivo a começar pela saliva que diminui facilitando a retenção das próteses. Com a diminuição do suco gástrico e a velocidade de digestão, o idoso fica com a sensação de estômago cheio e evita comer demais sobrecarregando o sistema digestivo”, esclarece.
Para a especialista, é fundamental que familiares e cuidadores compreendam as modificações naturais a fim de direcionar o idoso a uma vida melhor. Fala-se da importância da atividade física e seus benefícios para atos simples como andar, subir escada e carregar peso. A médica destaca que alimentação rica em frutas e verduras acompanhada pela atividade física regular controla alterações causadas por hipertensão, diabetes e colesterol, alivia estresse e depressão e melhora o sono.
Elizabeth Carvalho ressalta que manter a vida social reativa as relações pessoais, mas também trabalha mente e cérebro, prevenindo as demências. “Para manter o cérebro saudável é importante exercitá-lo também. Basta oferecer novas tarefas a idosos ou permitir que eles mesmos elaborem novos projetos de vida para se manterem ativos por mais tempo. Não existe limite de tempo para aprender algo novo”, completa a gerontóloga.