PERIGO

MG registra uma morte por meningite a cada 4 dias; infectologista explica sintomas e prevenção

Estado já soma 22 mortes e 91 casos confirmados da doença em 2026; morte encefálica de criança acendeu alerta sobre sintomas e prevenção

Mateus Pena/O Tempo
Publicado em 06/05/2026 às 19:16
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A cada quatro dias do ano de 2025, uma pessoa morreu por meningite bacteriana em Minas Gerais. Os dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) também apontam que, no ano passado, mais de um caso por dia foi registrado. Em 2026, até o momento, o estado tem mais de uma morte por semana pela doença, além de média de 22 casos confirmados e cinco óbitos por mês. Os números ganham ainda mais repercussão após uma criança atendida no Centro Materno Infantil (CMI), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ter o quadro de morte encefálica confirmado nesta quarta-feira (6/5) após apresentar um quadro compatível com meningite bacteriana.

Segundo a SES-MG, Minas Gerais registrou 443 casos confirmados de meningite bacteriana e 100 mortes pela doença em 2025. Já neste ano, até agora, foram contabilizados 91 casos confirmados e 22 óbitos. A pasta afirma que não há, no estado, nenhuma situação epidemiológica caracterizada como surto de meningite, independentemente da etiologia.

Apesar da confirmação da morte da criança em Contagem, a SES-MG informou que ainda não foi notificada sobre o caso.

PBH diz que casos seguem dentro do esperado na capital

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou, nesta quarta-feira (6/5), que os casos de meningite bacteriana registrados na capital ocorrem dentro do padrão esperado e que não há aumento fora da normalidade epidemiológica.

Segundo a administração municipal, BH confirmou 28 casos de meningite bacteriana em 2026, até o mês de maio. Já ao longo de todo o ano de 2025, foram registrados 265 casos de doença meningocócica na capital.

A prefeitura ressaltou ainda que a Vigilância Epidemiológica da capital atua de forma articulada com municípios da região metropolitana no monitoramento dos casos da doença. Não há registro recente de transferência para hospitais de Belo Horizonte de pacientes internados com meningite bacteriana em outras cidades da Grande BH.

Infectologista alerta para sintomas graves e explica como meningite é transmitida

O médico infectologista Leandro Curi explica que a meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem e protegem o sistema nervoso central, incluindo cérebro e medula espinhal.

Segundo o especialista, diferentes fatores podem provocar a doença, como vírus, fungos, bactérias, traumas, produtos químicos e até doenças autoimunes. Porém, as meningites bacterianas estão entre as formas mais graves. “A meningite acontece quando essa membrana que reveste o sistema nervoso inflama. As causas podem ser várias, mas no dia a dia médico as mais comuns são as infecciosas”, afirmou.

Doença pode ser transmitida de pessoa para pessoa

Curi explica que a meningite bacteriana pode ser transmitida por gotículas respiratórias, principalmente em contato próximo entre pessoas infectadas.

“Alguém com meningite pode transmitir falando muito próximo ou respirando perto de outra pessoa. Pode ser que uma pessoa infectada não desenvolva sintomas graves, mas outra pode evoluir com a doença”, explicou.

O médico destaca que o tratamento é feito com antibióticos nos casos bacterianos, após confirmação do diagnóstico, e que pacientes infectados precisam ser isolados, principalmente em ambientes hospitalares.

Vacinação é principal forma de prevenção

Leandro Curi reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra as meningites bacterianas.

“A vacina pneumocócica protege contra o pneumococo, a meningocócica protege contra o meningococo e também temos vacinas contra o Haemophilus influenzae. Existem vários agentes causadores que podem ser prevenidos com vacinação”, disse.

Febre, dor de cabeça e rigidez no pescoço estão entre sintomas

Entre os principais sintomas da meningite infecciosa estão febre, dor de cabeça, vômitos, prostração e rigidez na nuca. “A pessoa sente dor para dobrar o pescoço porque isso estende demais a meninge inflamada”, explicou o infectologista.

Segundo ele, em casos mais graves, a inflamação pode atingir o cérebro e provocar confusão mental, alterações neurológicas e até levar à morte. “Se não tratada adequadamente, dependendo da gravidade e do paciente infectado, a meningite pode evoluir até para óbito”, alertou Curi.

Plano nacional mira queda de 70% nas mortes por meningite até 2030

Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada seis pessoas diagnosticadas com a doença morre, enquanto uma em cada cinco sobreviventes pode desenvolver sequelas permanentes, como perda auditiva, amputações, paralisia e atraso no desenvolvimento psicomotor.

Diante desse cenário, o governo federal lançou, em 2024, o plano “Diretrizes para Enfrentamento das Meningites até 2030”, alinhado a estratégias globais da Organização Mundial da Saúde (OMS). A meta é reduzir em 50% os casos de meningite bacteriana imunoprevenível e diminuir em 70% as mortes provocadas pela doença até o fim da década.

O plano prevê ações voltadas à ampliação da vacinação, fortalecimento da vigilância epidemiológica, modernização do diagnóstico e ampliação da assistência aos pacientes. A estratégia também inclui reforço do Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável pela oferta gratuita de vacinas como meningocócica, pneumocócica, pentavalente e BCG nas unidades de saúde do país.

O Ministério da Saúde aponta que o diagnóstico rápido e o início imediato do tratamento são fundamentais para reduzir o risco de morte e minimizar sequelas graves entre os sobreviventes.

Fonte: O Tempo.

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