Sensação de pele com aspecto “lixa” é indicativo de dermatite atópica, que, em crianças é comum atacar as dobrinhas de braços e pernas
Estamos na época mais seca do ano em nossa região e os efeitos são sentidos em nosso corp pés e mãos mais ressecados, cotovelos esbranquiçados, aquela sensação de que estamos “craquelando”. Em algumas pessoas, fica a sensação de que os cremes não exercem o efeito esperado. E este é um dos sintomas da Dermatite Atópica (DA). Para piorar, a pele, além de ressecada, coça muito, fica vermelha e com aspecto de “lixa”. Um problema que não acomete apenas os bebês e crianças, mas também adultos.
Segundo a alergista e imunologista Juliana Lima Ribeiro, nos bebês, a DA começa nas bochechas, evoluindo depois para as dobrinhas de braços e pernas. “Geralmente esta é uma das primeiras alergias que aparecem nas crianças”, ressalta a médica, acrescentando que pode haver uma ligação com o consumo de alguns alimentos, principalmente o ovo, “mas nem toda dermatite tem ligação com alergia alimentar, cada caso é um caso”.
Com o passar do tempo, a tendência é de melhora. Mas normalmente quem tem a dermatite atópica costuma evoluir para as alergias respiratórias. “E precisamos ressaltar que ela acaba sendo considerada um fator de risco para a asma, por exemplo”, diz Juliana.
Para evitar estes transtornos, o ideal é cuidar da pele desde o nascimento. “Nossa barreira cutânea, quando fortalecida, tem se mostrado com uma função de proteção muito importante para a não penetração de alérgenos. Imagine um muro de proteção. Então, nossa pele é semelhante a um muro! As células são os tijolinhos que precisam ser unidos com um cimento especial formado por gorduras, proteínas e água. Nos casos de dermatite atópica, a barreira cutânea é deficiente em gorduras e proteínas especiais e perde água com facilidade”, explica a especialista.
Entre as medidas que amenizam os efeitos dessa “secura” e afastam um pouco o risco de complicações, hidratar a pele é essencial. Juliana Ribeiro explica que a hidratação deve ser feita com quantidade generosa de creme, após o banho morno (que deve durar entre 10 e 15 minutos, no máximo) e com uso de pouco sabonete. “É possível reverter os quadros de dermatite atópica quando o tratamento começa logo no início”, finaliza Juliana.