Cardiologista alerta principalmente pessoas com hipertensão, diabetes e doenças cardíacas ainda não diagnosticadas
A paixão pelo futebol e a intensidade das emoções durante grandes competições, como a Copa do Mundo, podem representar um risco para a saúde do coração. Segundo especialistas, momentos de forte tensão, ansiedade e euforia durante as partidas podem aumentar a liberação de adrenalina no organismo e favorecer alterações cardiovasculares.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, o cardiologista Raleson Batista explicou que o chamado “estresse emocional” pode ser um dos fatores associados ao infarto agudo do miocárdio, principalmente em pessoas que já possuem algum problema cardíaco, mesmo que ainda não tenham conhecimento.
De acordo com o médico, situações de grande envolvimento emocional, como acompanhar uma partida decisiva, podem provocar aumento da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos e maior consumo de oxigênio pelo coração. “A carga adrenérgica pode provocar o infarto agudo do miocárdio, porque eleva a pressão arterial, aumenta a frequência cardíaca e aumenta o consumo de oxigênio pelo coração”, explica.
Segundo Batista, quando existe uma obstrução prévia nas artérias, ainda não diagnosticada, o organismo pode não conseguir suprir essa demanda aumentada de oxigênio durante um momento de estresse intenso. “O coração passa a precisar de mais oxigênio, mas esse oxigênio pode não chegar de forma adequada por causa de uma obstrução já existente. Quando associamos isso a uma emoção muito forte, podemos facilitar uma descompensação”, afirma.
O cardiologista destaca que o problema não está em torcer ou se emocionar com o futebol, mas na forma como algumas pessoas vivenciam essas situações. Para ele, é importante lembrar que o torcedor não deve assumir emocionalmente o papel de um jogador dentro de campo. "É preciso se preservar. São 11 jogadores, não são 12. A pessoa precisa entender que aquilo é uma disputa profissional e não carregar para si uma responsabilidade que não é dela”, orienta.
Além da emoção provocada pelos jogos, o especialista alerta que muitos torcedores já chegam a esses momentos com uma carga elevada de estresse cotidiano, sedentarismo e outros fatores de risco.
Segundo Batista, a soma desses elementos pode aumentar as chances de complicações cardiovasculares. “Nós vivemos em um mundo muito sedentário, com pessoas em um nível de estresse muito grande. Somar esse estresse diário ao estresse de uma disputa esportiva pode trazer consequências importantes”, destaca.
O médico também chama atenção para situações em que torcedores associam os jogos ao consumo excessivo de álcool ou a discussões provocadas por rivalidades esportivas. Segundo ele, esses fatores podem intensificar reações emocionais e prejudicar a saúde.
Para reduzir os riscos, Raleson Batista reforça a importância de acompanhamento médico regular, principalmente para pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou outros fatores de risco.
O cardiologista lembra ainda que exames preventivos podem identificar alterações antes que elas se manifestem de forma mais grave. “É importante fazer avaliações periódicas para saber como está a saúde cardiovascular e trabalhar a prevenção”, conclui.