REVOLUÇÃO

Terapia contra câncer desenvolvida pela USP apresenta resposta positiva em quase 90% dos pacientes

Estudo preliminar da CAR-T Cell brasileira aponta redução significativa ou desaparecimento do tumor em pacientes com linfoma não Hodgkin; tratamento pode chegar ao SUS

Publicado em 10/06/2026 às 11:52
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Exames mostram antes e depois de câncer de paciente; à direita, imagem mostra remissão da doença (Foto/Divulgação)

Exames mostram antes e depois de câncer de paciente; à direita, imagem mostra remissão da doença (Foto/Divulgação)

A terapia celular CAR-T Cell desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan, apresentou resultados promissores no tratamento de pacientes com linfoma não Hodgkin. Dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Ministério da Saúde indicam que 87,5% dos pacientes tratados tiveram redução significativa ou desaparecimento do tumor.

A técnica utiliza as próprias células de defesa do organismo para combater o câncer. Após serem coletadas, essas células passam por uma modificação genética em laboratório e são reintroduzidas no paciente para atacar as células tumorais.

De acordo com a USP, cerca de nove em cada dez pacientes apresentaram resposta positiva ao tratamento, considerado uma das abordagens mais modernas da medicina oncológica.

O estudo clínico é conduzido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto e já incluiu 75 participantes. Destes, 25 receberam a infusão das células modificadas. A expectativa é que ao menos 100 pacientes integrem a pesquisa nas fases I e II.

Segundo o professor Rodrigo Calado, um dos responsáveis pelo estudo, o objetivo é tornar a terapia acessível aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, tratamentos semelhantes realizados no exterior podem custar cerca de US$ 500 mil, o equivalente a mais de R$ 2,7 milhões.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanhará o desenvolvimento da pesquisa por meio de um fluxo prioritário, o que pode acelerar a futura aprovação do tratamento no país.

Além dos casos de linfoma não Hodgkin, pesquisadores avaliam expandir os estudos para doenças autoimunes, como lúpus e miastenia gravis.

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